Vieira alerta que, se não houver acordo agora, novas negociações podem ser inviáveis no futuro próximo
Gabriela Thier Publicado em 18/12/2025, às 16h12
O Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, manifestou a sua expectativa de que um acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia (UE) seja assinado neste sábado (20), durante a cúpula do Mercosul em Foz do Iguaçu, Paraná.
Vieira enfatizou que esta é uma oportunidade crucial para a formalização do pacto entre os blocos, alertando que, caso o acordo não seja concluído agora, não haverá novas negociações substanciais. "Se não for finalizado nesta ocasião, não haverá mais o que se discutir. Redirecionaremos nossos esforços e atenção para outros parceiros significativos", declarou o ministro em entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), na quinta-feira (18).
Apesar das pressões, Vieira demonstrou otimismo ao mencionar que a maioria dos países europeus apoia a proposta. Ele observou que a União Europeia reconhece a importância de estabelecer esse acordo em um momento de desequilíbrio nas relações internacionais. "Este pacto funcionaria como uma rede de proteção tanto para os países da UE quanto para os integrantes do Mercosul", acrescentou.
A afirmação de Vieira coincide com os comentários feitos pelo presidente Lula em reunião ministerial no dia anterior. Lula reiterou que esta seria a última oportunidade para um acordo durante seu governo. "Se não avançarmos agora, o Brasil não buscará um novo entendimento enquanto eu estiver na presidência", afirmou. O presidente também ressaltou que o país já havia feito concessões significativas durante as negociações.
Em relação ao apoio europeu ao acordo, Vieira destacou que países como Espanha, Portugal e Alemanha são grandes defensores da parceria comercial, reconhecendo a relevância das relações econômicas e das exportações entre as duas regiões. Segundo ele, dos 27 países da União Europeia, cerca de 20 ou 22 estão favoráveis à adesão ao acordo, com exceção de França e Itália, que ainda precisam considerar as demandas dos seus setores agrícolas.
No que diz respeito à expansão comercial do Brasil em novos mercados, o chanceler revelou que o país tem avançado significativamente nessa direção. Ele estima que essas novas frentes poderão resultar em um aumento nas exportações brasileiras de aproximadamente US$33 bilhões nos próximos cinco anos. Para o setor agropecuário brasileiro, foram abertas 500 novas oportunidades de mercado graças às iniciativas internacionais do presidente Lula.
"O presidente Lula tem sido um grande embaixador do Brasil desde seu primeiro mandato e continua a promover o país intensamente neste terceiro mandato. Somente neste período, ele realizou mais de 60 encontros diretos com líderes mundiais", concluiu Vieira.