Manifestações em todo o país criticam guerra no Irã e política migratória do governo de Donald Trump
Erika Osti Publicado em 28/03/2026, às 18h21
Milhões de pessoas foram às ruas dos Estados Unidos neste sábado (28) para protestar contra o governo de Donald Trump, em uma das maiores mobilizações nacionais desde o início de seu segundo mandato. Convocados pelo movimento “No Kings”, os atos ocorreram simultaneamente em todos os 50 estados e também em cidades da Europa, reunindo opositores indignados com a guerra no Irã, a política migratória e o que classificam como avanço autoritário da atual administração.
Com mais de três mil manifestações organizadas, os protestos ganharam força em grandes centros como Nova York, Washington, Filadélfia e São Francisco, mas também se espalharam por cidades médias e pequenas, evidenciando o descontentamento. Em Washington, manifestantes marcharam por pontos simbólicos como o Lincoln Memorial e o National Mall, carregando cartazes com críticas diretas ao presidente e entoando palavras de ordem como “chega de reis”.
O principal foco dos atos foi o estado de Minnesota, especialmente a capital Saint Paul, onde centenas de milhares de pessoas se concentraram nos arredores do Capitólio estadual. A região se tornou símbolo da resistência após a morte de dois cidadãos americanos durante uma operação do serviço de imigração, o ICE, em Minneapolis no ano passado. O episódio, registrado em vídeo, ampliou a indignação contra a atuação federal em políticas migratórias.
O evento em Minnesota reuniu lideranças políticas e figuras públicas, como o senador Bernie Sanders, além de artistas. O cantor Bruce Springsteen se apresentou no local com uma música composta em homenagem às vítimas e às mobilizações populares, reforçando o tom político da manifestação.
A guerra no Irã, iniciada pelos Estados Unidos em conjunto com Israel, é outro ponto central dos protestos. Manifestantes criticam a escalada militar, as mortes de soldados americanos e a falta de clareza sobre os objetivos do conflito. O tema ganhou peso em meio à queda na popularidade de Trump, que enfrenta seu pior índice de aprovação desde que voltou à Casa Branca.
Além das críticas à política externa, os protestos também miram decisões internas do governo, como o uso frequente de decretos executivos, ataques a programas de diversidade e acusações de uso político do sistema de Justiça. Do outro lado, aliados do presidente, ligados ao movimento conservador, minimizam os atos e classificam a mobilização como exagerada ou motivada por interesses partidários.
Esta é a terceira grande onda de manifestações do movimento “No Kings” em menos de um ano. As edições anteriores já haviam reunido milhões de pessoas, mas organizadores afirmam que a mobilização atual pode ser ainda maior, impulsionada pela proximidade das eleições legislativas e pelo agravamento das tensões internas e externas.