Levantamento indica rejeição crescente à escalada militar e aumento da preocupação com o preço da gasolina nos Estados Unidos
Redação Publicado em 25/03/2026, às 10h09
A ofensiva militar dos Estados Unidos contra o Irã começa a enfrentar resistência dentro do próprio país. Uma pesquisa recente revela que a maioria dos americanos considera que a resposta liderada pelo presidente Donald Trump “foi longe demais”, acendendo um alerta político em meio à escalada do conflito no Oriente Médio.
Segundo o levantamento, 59% dos entrevistados avaliam que as ações militares ultrapassaram os limites necessários. O dado surge em um momento delicado, com a guerra — conduzida em parceria com Israel — entrando na quarta semana e sem sinais claros de desescalada.
Apesar da crítica à intensidade dos ataques, há um ponto de convergência entre os americanos: impedir que o Irã desenvolva armas nucleares. Cerca de dois terços da população consideram essa meta prioritária, evidenciando um cenário de opinião pública dividido entre segurança internacional e cautela militar.
Outro fator que pressiona o governo é o impacto econômico. A preocupação com o preço da gasolina cresceu significativamente: 45% dos americanos afirmam estar muito ou extremamente preocupados com o custo do combustível — um salto relevante em comparação aos meses anteriores.
A alta está diretamente ligada às tensões no Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. O fechamento da região pelo Irã agravou o temor de uma crise energética global, refletindo rapidamente no bolso dos consumidores.
Mesmo com a aprovação geral de Trump mantendo-se estável em torno de 40%, a condução da política externa enfrenta maior desgaste. Apenas 34% aprovam sua atuação internacional, e cerca de metade da população afirma ter pouca ou nenhuma confiança em suas decisões militares.
A rejeição se intensifica quando o assunto é o envio de tropas terrestres: aproximadamente 60% dos americanos são contra a medida, demonstrando receio de um envolvimento mais profundo no conflito.
O cenário evidencia um dilema para a Casa Branca: equilibrar a pressão por segurança global com o desgaste interno provocado por uma guerra cada vez mais longa, cara e impopular.