Presidente falou sobre divergências políticas com o americano e comentou comparação com Bolsonaro
Manoela Cardozo Publicado em 17/05/2026, às 11h57
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que uma relação próxima com Donald Trump pode ajudar o Brasil a evitar novas tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos.
A declaração foi dada em entrevista ao jornal The Washington Post, publicada neste domingo. Segundo Lula, as diferenças ideológicas entre os dois não impedem uma relação diplomática.
“Trump sabe que me oponho à guerra com o Irã, discordo de sua intervenção na Venezuela e condeno o genocídio que está acontecendo na Palestina”, afirmou o presidente brasileiro.
“Mas, minhas divergências políticas com Trump não interferem na minha relação com ele como chefe de Estado. O que eu quero é que ele trate o Brasil com respeito, entendendo que sou o presidente democraticamente eleito aqui", completou.
A entrevista marca a primeira conversa de Lula com um grande jornal internacional desde o encontro recente com Trump na Casa Branca, realizado no início de maio. Segundo a publicação americana, o petista acredita que manter um diálogo cordial com o republicano pode abrir espaço para novos investimentos americanos no Brasil e fortalecer a relação entre os países.
Apesar da aproximação diplomática, Lula afirmou que não pretende mudar sua postura política para agradar os Estados Unidos e voltou a defender que a América Latina seja tratada como parceira estratégica, não como alvo de pressão internacional.
Durante a entrevista, o presidente também comentou a comparação com o ex-presidente Jair Bolsonaro, que mantinha uma relação mais alinhada ideologicamente com Trump.
“Eu jamais pediria a Trump para não gostar de Bolsonaro. Isso é problema dele”, disse Lula. “Não preciso fazer nenhum esforço para que ele saiba que sou melhor que Bolsonaro. Ele já sabe disso".
O presidente brasileiro ainda destacou a força comercial da China na América Latina e afirmou que o comércio brasileiro com os chineses já supera o volume negociado com os Estados Unidos.
“Se os Estados Unidos quiserem passar para a frente da fila, ótimo. Mas eles precisam querer isso”, declarou.