EUA

Trump chama ofensiva de “operação brilhante” em conversa com imprensa

Após a operação, Trump elogiou a atuação das forças americanas e prometeu mais informações em coletiva de imprensa em Mar-a-Lago

- Imagem: Reprodução | X (Twitter) - @AFPnews

Marina Milani Publicado em 03/01/2026, às 07h16

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste sábado que o governo norte-americano realizou um ataque “em larga escala” contra a Venezuela, operação que, segundo ele, resultou na captura do presidente Nicolás Maduro. A declaração foi feita na Truth Social, rede social do próprio Trump, que afirmou que a ação ocorreu “em conjunto com as forças de segurança dos Estados Unidos”.

Pouco depois do anúncio, Trump falou por telefone com o The New York Times e comemorou o desfecho da operação. Segundo ele, a missão foi resultado de um planejamento detalhado e da atuação de tropas e agentes altamente preparados. “Foi uma operação brilhante”, afirmou, ao elogiar o desempenho das forças envolvidas.

Questionado sobre a eventual autorização do Congresso para a ação militar e sobre os próximos passos da política norte-americana em relação à Venezuela, Trump disse que trataria desses temas em uma coletiva de imprensa marcada para as 11h, em Mar-a-Lago, seu clube e residência particular na Flórida.

Mais cedo, o governo venezuelano acusou oficialmente os Estados Unidos de promover ataques militares em Caracas e em outras regiões do país. As denúncias surgiram após o registro de grandes explosões em uma base militar na capital. Em resposta, as autoridades decretaram estado de emergência em todo o território nacional.

De acordo com comunicado do Ministério da Comunicação da Venezuela, os ataques teriam ocorrido em Caracas e também nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira. O texto afirma que o país “rejeita, repudia e denuncia” o que classificou como agressão militar dos Estados Unidos e convoca todas as forças sociais e políticas a ativarem planos de mobilização contra o que chamou de “ataque imperialista”.

A escalada de tensão ocorre após meses de declarações duras de Trump contra Maduro. O presidente norte-americano vinha fazendo ameaças públicas e acusações relacionadas ao narcotráfico, sustentando que o líder venezuelano comandaria um Estado classificado por Washington como “narco-terrorista”. Maduro nega as acusações.

Autoridades dos EUA consideram o presidente venezuelano um líder ilegítimo e o acusam de manter vínculos com organizações criminosas ligadas ao tráfico internacional de drogas. Desde agosto, o Pentágono intensificou a presença militar no Caribe, com o envio de tropas, aeronaves e navios de guerra.

Nesse período, forças norte-americanas atacaram diversas embarcações que, segundo Washington, estariam envolvidas no tráfico de drogas. As operações resultaram na morte de pelo menos 115 pessoas, conforme dados citados por autoridades dos EUA. Além disso, a CIA teria realizado no mês passado um ataque com drones contra uma instalação portuária na Venezuela.

Especialistas em direito internacional e uso da força têm criticado essas ações, classificando-as como execuções extrajudiciais ilegais. O governo Trump, por sua vez, sustenta que as operações estão amparadas pelas leis de guerra, sob o argumento de que os Estados Unidos estariam em conflito armado com cartéis de drogas.

Paralelamente, Washington também ampliou a pressão econômica sobre Caracas. Nas últimas semanas, os Estados Unidos intensificaram ações contra navios que transportavam petróleo venezuelano, afetando diretamente a principal fonte de receita do país. Um petroleiro sancionado foi apreendido a caminho da Ásia, outro foi interceptado sem estar sob sanções, e a Guarda Costeira tentou abordar uma terceira embarcação que se dirigia à Venezuela para carregar petróleo.

Estados Unidos Nicolás Maduro CARACAS Flórida forças de segurança CIA pentágono

Leia também