Keir Starmer renuncia ao cargo de primeiro-ministro do Reino Unido após pressão interna

Líder trabalhista deixa o governo menos de dois anos após conquistar uma vitória histórica nas eleições de 2024. Favorito para sucedê-lo é Andy Burnham, enquanto o Partido Trabalhista tenta evitar uma crise ainda maior diante do avanço da direita no país.

Keir Starmer renuncia ao cargo após meses de pressão política e perda de apoio dentro do Partido Trabalhista - Imagem: Reprodução

Ana Beatriz Publicado em 23/06/2026, às 00h10

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O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, anunciou nesta segunda-feira (22) sua renúncia ao cargo, encerrando um dos mandatos mais curtos da história recente da política britânica. A decisão ocorre menos de dois anos após sua expressiva vitória nas eleições gerais de 2024, que colocou fim a 14 anos consecutivos de governos conservadores no país.

Em um pronunciamento emocionado em frente ao número 10 da Downing Street, residência oficial do primeiro-ministro britânico, Starmer afirmou que ouviu as críticas dentro de seu partido e concluiu que não era mais a pessoa adequada para conduzir o Partido Trabalhista até a próxima eleição nacional prevista para 2029. O líder informou ainda que permanecerá no cargo apenas durante o período de transição para garantir uma transferência ordenada de poder.

A renúncia é resultado de meses de desgaste político e crescente insatisfação dentro do próprio Partido Trabalhista. Parlamentares e integrantes do governo passaram a questionar a liderança de Starmer após sucessivas derrotas eleitorais locais, queda acentuada de popularidade e dificuldades para entregar resultados em áreas consideradas prioritárias, como economia, imigração e saúde pública.

Outro fator que contribuiu para o enfraquecimento do governo foi uma série de controvérsias envolvendo integrantes da administração trabalhista. Entre elas, a polêmica nomeação do ex-ministro Peter Mandelson para funções diplomáticas e os desdobramentos políticos relacionados ao chamado escândalo Epstein, que provocaram pedidos de renúncia e a saída de importantes assessores do governo.

Nos bastidores, o nome mais forte para assumir a liderança do Partido Trabalhista e, consequentemente, o cargo de primeiro-ministro, é o de Andy Burnham. Ex-prefeito da Grande Manchester e recém-eleito parlamentar, Burnham recebeu apoio de figuras influentes do partido e aparece como o principal favorito para conduzir a legenda em um momento considerado decisivo para o futuro da esquerda britânica.

A saída de Starmer representa uma reviravolta significativa na política do Reino Unido. Em julho de 2024, ele chegou ao poder prometendo estabilidade, crescimento econômico e renovação institucional após anos de turbulência política sob governos conservadores. No entanto, a rápida deterioração de sua popularidade e a ascensão de forças políticas como o Reform UK, liderado por Nigel Farage, acabaram reduzindo sua capacidade de manter a unidade interna do partido e o apoio do eleitorado.

A expectativa agora é que o Partido Trabalhista defina o sucessor nas próximas semanas. O processo oficial para escolha da nova liderança deve começar em julho, com a posse do novo líder prevista antes do retorno do Parlamento britânico após o recesso de verão.

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