Líder trabalhista comunicou decisão ao rei Charles III após meses de fritura interna; processo de sucessão começa em julho e deve ser concluído até setembro
Letícia Sales Publicado em 22/06/2026, às 08h30
O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, anunciou oficialmente nesta segunda-feira (22) que deixará o comando do governo britânico. O comunicado, feito após uma conversa com o rei Charles III pela manhã, dá início a um processo de transição que deve se estender até setembro, quando o Parlamento retorna do recesso de verão. Com a queda de Starmer, os britânicos se preparam para ter o seu sétimo chefe de governo em um intervalo de apenas dez anos, consolidando um período de forte instabilidade política na Downing Street.
A permanência de Starmer no cargo havia se tornado insustentável. No último fim de semana, o jornal britânico The Observer antecipou que o premiê havia selado seu destino após sucessivas reuniões com ministros de seu gabinete, assessores próximos, doadores de campanha e lideranças sindicais. O estopim para a decisão ocorreu na última quinta-feira (19), quando seu principal rival interno no Partido Trabalhista, Andy Burnham, conquistou uma cadeira no Parlamento. Conhecido por sua forte capacidade de comunicação, a ascensão de Burnham reergueu a ala do partido que buscava uma alternativa para conter a perda de popularidade da legenda.
Em pronunciamento, Starmer adotou um tom de conciliação e garantiu que trabalhará para que a transferência de poder ocorra sem sobressaltos.
"Permanecerei no cargo até o término da disputa e farei tudo o que estiver ao meu alcance para garantir uma transição de poder ordenada. Darei total apoio ao meu sucessor", declarou.
A postura contrasta com as declarações firmes dadas por ele pouco mais de um mês antes. Em 18 de maio, ao ser questionado se o seu mandato estava perto do fim, o premiê rechaçou a hipótese.
"Não vou desistir", disse Starmer na ocasião. "Precisamos mostrar que podemos reverter a situação."
Balanço e bastidores da sucessão.Ao se despedir, o líder trabalhista preferiu focar no legado de sua gestão de dois anos e no desejo de se reconectar com a rotina familiar. Ele afirmou que o Partido Trabalhista agora “herdará uma Grã-Bretanha mais forte e justa do que aquela que herdei há dois anos”. Visivelmente emocionado, emendou agradecimentos a colegas e servidores públicos.
“Quero ser o melhor marido possível para minha fantástica esposa e o melhor pai para meus lindos filhos, que são meu orgulho. A questão que meu partido faz agora é se sou a melhor pessoa para nos conduzir à próxima eleição geral. Ouvi a resposta do meu partido parlamentar e a aceito com humildade.”
O cronograma para a escolha do novo ocupante do cargo começará a ser desenhado no dia 9 de julho, quando se abrem as indicações formais. Para concorrer, qualquer postulante trabalhista precisará do endosso de ao menos 20% da bancada do partido no Parlamento — o que hoje representa 81 dos 403 deputados governistas —, além do apoio de bases sindicais e organizações afiliadas. Caso o partido consiga alinhar um consenso em torno de um único nome, a escolha é automática. Havendo disputa real, o veredito final será decidido pelo voto direto de todos os filiados da sigla.