VIETNÃ

Justiça vietnamita mantém sentença de morte para magnata por fraude financeira

Truong My Lan, empresária do setor imobiliário, acusada de desviar 12,5 bilhões de dólares, quantia que representa cerca de 3% do PIB do Vietnã em 2022

Justiça vietnamita mantém sentença de morte para magnata por fraude financeira - Imagem: Reprodução / X / @RadioFreeAsia

William Oliveira Publicado em 03/12/2024, às 12h08

Um tribunal vietnamita confirmou, nesta terça-feira (3), a sentença de morte imposta à magnata do setor imobiliário Truong My Lan, rejeitando o recurso que visava anular a condenação. Lan foi sentenciada no maior escândalo de fraude financeira da história do Vietnã, acusada de desviar 12,5 bilhões de dólares, quantia que representa cerca de 3% do Produto Interno Bruto (PIB) do país em 2022.

A empresária liderava o conglomerado Van Thinh Phat Holdings Group e foi inicialmente condenada em abril deste ano. O tribunal de Ho Chi Minh City manteve a decisão, afirmando não haver justificativa para comutar a pena.

Apesar disso, a legislação vietnamita permite que a pena de morte seja convertida em prisão perpétua caso o condenado restitua 75% dos fundos desviados. No caso de Lan, isso implicaria devolver 9 bilhões de dólares. Ainda assim, há a possibilidade de solicitar clemência presidencial.

Promotores descreveram o impacto das ações de Lan como "sem precedentes", afetando profundamente o sistema financeiro e a economia nacional. Seu caso é um exemplo proeminente da campanha anticorrupção intensificada pelo governo comunista, que tem visado figuras influentes no meio empresarial.

Quem é a empresária?

Lan foi detida junto com diversos outros envolvidos, entre eles altos executivos do Banco Central vietnamita. Além dela, outros 47 réus buscaram a redução de suas penas.

Acusações apontam que Lan utilizou intermediários para controlar majoritariamente o Saigon Commercial Bank (SCB), enquanto oficialmente detinha apenas uma pequena parcela das ações. Entre 2012 e 2022, ela teria orquestrado um esquema para desviar quantias vultosas por meio de empréstimos fraudulentos para empresas fictícias, encobrindo as operações com subornos. As perdas totais para o banco foram estimadas em 27 bilhões de dólares.

O impacto da fraude reverberou em todo o setor bancário e prejudicou seriamente a economia vietnamita, espantando investidores estrangeiros em um momento crítico de abertura econômica e causando perdas financeiras significativas aos depositantes do SCB.

A defesa argumentou que existiam circunstâncias atenuantes suficientes para evitar a pena capital, mas os juízes mantiveram a decisão original. Lan expressou arrependimento público pela sua participação no caso e pelo desperdício dos recursos nacionais.

Advogados da ré também alegaram que ela já havia restituído propriedades suficientes para se qualificar para uma redução de pena, embora o valor desses bens ainda necessite de avaliação judicial detalhada.

As execuções no Vietnã são realizadas por injeção letal, mas o processo pode levar anos até ser efetivado. Nascida em 1956 na cidade de Ho Chi Minh, Lan ascendeu durante as reformas econômicas dos anos 1990 e acumulou um vasto império imobiliário.

Além do caso atual, Lan enfrenta outra condenação à prisão perpétua por apropriação indevida de 1,2 bilhão de dólares através da emissão ilegal de títulos corporativos.

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