A juíza Allison Burroughs decidiu a favor de Harvard, suspendendo a ordem do governo que afetava alunos estrangeiros
Gabriela Thier Publicado em 23/05/2025, às 15h55
A Justiça dos Estados Unidos interveio nesta sexta-feira (23) para bloquear a decisão do governo de Donald Trump que impedia a Universidade Harvard, uma das mais renomadas do país, de aceitar estudantes estrangeiros. Com essa medida, alunos internacionais que já estão matriculados ou desejam ingressar na instituição continuarão com o direito de obter um visto de estudante para residir nos EUA.
Essa proibição, agora objeto de uma disputa legal, representa um aumento significativo nas tensões entre a administração Trump e a universidade. O Departamento de Segurança Interna (DHS) havia anunciado a restrição na quinta-feira (22), destacando que 25% da população estudantil de Harvard é composta por alunos internacionais.
O Tribunal Federal de Boston acatou uma ação judicial apresentada pela administração de Harvard nesta mesma sexta-feira. A juíza Allison Burroughs, designada ao cargo pelo ex-presidente Barack Obama, decidiu suspender a ordem governamental, o que significa que a proibição não terá efeito legal a menos que o governo federal decida apelar da decisão.
Até o fechamento desta reportagem, ainda não havia confirmação sobre um possível recurso por parte do governo dos EUA. Burroughs programou audiências para a próxima semana, entre os dias 27 e 29, para discutir os próximos passos desse processo judicial.
No conteúdo da ação, Harvard argumentou que a restrição imposta pelo governo poderia causar "efeitos devastadores" para aproximadamente 7.000 alunos estrangeiros que dependem do visto de estudante para residir legalmente nos Estados Unidos. "Sem seus estudantes internacionais, Harvard não é Harvard", afirmou a instituição, que possui 389 anos de história. A universidade enfatizou que com uma simples canetada, o governo tentou eliminar um quarto de seu corpo discente — estudantes internacionais que são essenciais para sua missão educacional.
A universidade também classificou a proibição como uma "violação clara" da Primeira Emenda à Constituição dos Estados Unidos e outras legislações federais.
De acordo com o DHS, a proibição foi justificada pela alegação de que Harvard não forneceu documentos solicitados sobre seus alunos internacionais. O governo determinou que esses estudantes teriam que se transferir para outras instituições caso contrário perderiam o direito de permanecer no país.
Em uma carta enviada à universidade, a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, acusou Harvard de criar um "ambiente hostil para estudantes judeus", além de promover simpatias ao Hamas e implementar políticas racistas em termos de diversidade e inclusão.
A proibição estava programada para entrar em vigor no ano letivo de 2025-2026. Segundo as diretrizes apresentadas pelo governo, os estudantes internacionais que completassem seus cursos neste semestre não seriam impactados pela nova regra. Contudo, aqueles ainda em andamento teriam que se transferir para outra instituição ou enfrentariam a perda do visto de estudante. Aqueles aceitos para iniciar as aulas em setembro também estariam impedidos de começar seus cursos na universidade.