O Irã anunciou neste sábado (18) o novo fechamento do Estreito de Ormuz, poucas horas após ter autorizado a retomada limitada da navegação na região. A medida foi apresentada como resposta à decisão dos Estados Unidos de manter o bloqueio aos portos iranianos.
A reabertura parcial havia ocorrido na sexta-feira e chegou a gerar reação positiva nos mercados internacionais, com alta nas bolsas e queda no preço do petróleo. Em Washington, o presidente Donald Trump chegou a afirmar que um acordo de paz mais amplo entre os dois países estava “muito próximo”.
Apesar disso, autoridades iranianas acusaram os norte-americanos de manter “atos de pirataria” ao sustentar o bloqueio naval. Em comunicado, o comando das Forças Armadas declarou que a situação voltou ao “estado anterior”, com controle rigoroso da passagem estratégica por parte do Irã.
O movimento ocorre em meio a intensas negociações diplomáticas para encerrar o conflito no Oriente Médio, que já conta com um cessar-fogo de duas semanas em vigor desde 8 de abril.
Dados de monitoramento marítimo indicaram que a circulação de navios na região ainda era tímida neste sábado. Pouco mais de dez embarcações transitavam pelo estreito, número muito abaixo da média registrada antes da guerra, quando cerca de 120 navios cruzavam a rota diariamente.
A tensão também se reflete em decisões operacionais: embarcações chegaram a alterar rotas ou retornar, enquanto um cruzeiro atravessou o estreito sem passageiros, em um trajeto incomum desde o início do conflito.
Segundo autoridades americanas, ao menos 21 navios já obedeceram às ordens de retorno impostas pelas forças dos EUA desde o início do bloqueio. Em resposta, o governo Trump afirmou que as restrições seguirão “totalmente em vigor” até o fim das negociações — e poderão continuar caso não haja acordo.
Internamente, o debate também cresce no Irã. Veículos conservadores criticaram a tentativa de flexibilização, argumentando que qualquer abertura sem o fim das sanções pode favorecer os adversários em meio ao conflito.
O Estreito de Ormuz é uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo, responsável por cerca de 20% do transporte global de petróleo e gás natural liquefeito. Por isso, qualquer instabilidade na região tem impacto imediato nos mercados internacionais e na economia global.