Tensão no Oriente Médio

Irã ameaça abandonar acordo após ataques de Israel no Líbano

Irã critica violação de cessar-fogo e diz que negociações com os EUA podem perder sentido

O acordo de cessar-fogo enfrenta desafios, com divergências sobre a inclusão do Líbano e a pressão sobre as negociações - Imagem: Reprodução/Fadel ITANI/AFP

Letícia Sales Publicado em 09/04/2026, às 10h44

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou nesta quinta-feira (9) que os ataques recentes de Israel ao Líbano configuram uma violação direta do acordo inicial de cessar-fogo envolvendo também os Estados Unidos. Segundo ele, a continuidade das ofensivas pode inviabilizar as negociações diplomáticas em curso.

Em pronunciamento, Pezeshkian endureceu o discurso e indicou que o Irã poderá se retirar das tratativas caso os bombardeios persistam.

O novo ataque do regime sionista ao Líbano é uma violação flagrante do acordo inicial de cessar-fogo. Isso é um sinal perigoso de engano e falta de compromisso com os acordos potenciais. A continuação dessas ações tornará as negociações sem sentido. Nossas mãos permanecem no gatilho. O Irã nunca abandonará seus irmãos e irmãs libaneses", declarou.

A declaração ocorre um dia após Israel realizar o maior ataque ao território libanês desde o início da atual escalada de violência. De acordo com autoridades locais, mais de 250 pessoas morreram em bombardeios coordenados em diferentes regiões. O governo israelense afirma que a ofensiva tem como alvo o Hezbollah, organização armada apoiada pelo Irã.

Mesmo diante da tensão, está previsto para sexta-feira (10) um encontro entre representantes iranianos e norte-americanos em Islamabad, no Paquistão, marcando a retomada das negociações por um acordo definitivo.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que manterá tropas na região até que haja um “acordo verdadeiro”, além de reforçar ameaças em caso de fracasso nas tratativas.

"Se, por qualquer motivo — o que é altamente improvável — isso não acontecer, então 'os ataques vão começar', maiores, melhores e mais intensos do que qualquer um já viu antes".

Já o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou que as operações militares continuarão até a eliminação da ameaça representada pelo Hezbollah. Segundo ele, o Líbano não faz parte do acordo de cessar-fogo — versão também sustentada pelos Estados Unidos.

Em contrapartida, o Paquistão, que atuou como mediador, afirma que a trégua inclui o território libanês, evidenciando divergências entre os envolvidos.

O acordo previa uma pausa de duas semanas nos ataques ao Irã, em troca da reabertura do Estreito de Ormuz, fundamental para o comércio global de petróleo. No entanto, a liberação da via durou apenas algumas horas, aumentando as incertezas sobre a sustentação do cessar-fogo.

O cenário amplia o risco de escalada no Oriente Médio e coloca sob pressão os esforços diplomáticos em andamento.

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