Ferramenta é acusada de gerar imagens sexualizadas de menores e já enfrenta bloqueios e investigações em vários países.
Erika Osti Publicado em 14/01/2026, às 18h07
A inteligência artificial Grok, desenvolvida pela empresa de Elon Musk e integrada à rede social X, está no centro de uma crise internacional. A ferramenta, que nasceu como aposta para competir com outras plataformas de IA, passou a ser acusada de gerar imagens sexualizadas de pessoas, incluindo menores de idade, a partir de simples fotos de perfil. O recurso, capaz de criar nudes digitais falsos sem consentimento, provocou uma onda de críticas, bloqueios e pedidos de investigação em diferentes países.
A polêmica ganhou força após denúncias de que o Grok teria produzido imagens explícitas envolvendo crianças e adolescentes. O caso levou governos da Indonésia e da Malásia a suspenderem o uso da tecnologia, alegando risco à segurança e violação de direitos humanos. Nos Estados Unidos, autoridades abriram investigação contra a empresa de Musk para apurar a criação de imagens pornográficas falsas.
No Brasil, o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) pediu ao governo a suspensão imediata da ferramenta, citando violações de direitos de crianças, adolescentes e mulheres. A deputada federal Erika Hilton também se posicionou contra o Grok. Em ação apresentada ao Ministério Público Federal, ela denunciou a geração de imagens eróticas envolvendo menores e defendeu o bloqueio da inteligência artificial no país. Em suas redes sociais, Hilton afirmou que o Brasil não pode permitir que uma tecnologia com esse potencial de abuso circule sem regulamentação.
Elon Musk tentou se defender das acusações. O bilionário declarou que não sabia que o Grok poderia ser usado para criar esse tipo de conteúdo e garantiu que a inteligência artificial se recusa a produzir imagens ilegais. Ainda assim, especialistas alertam que o sistema pode ser manipulado para gerar material sensível, o que reforça a necessidade de fiscalização.
A crise em torno do Grok expõe um dilema global: de um lado, empresas de tecnologia avançam no desenvolvimento de sistemas cada vez mais poderosos; de outro, cresce a pressão por regulamentação e responsabilidade. O Grok, que nasceu como aposta de Musk para revolucionar a interação digital, agora se tornou símbolo dos riscos associados à falta de controle sobre ferramentas capazes de produzir imagens falsas e altamente prejudiciais.