Internet cortada no Irã dificulta pedidos de ajuda e Itamaraty reforça alerta para evitar viagens à região
Erika Osti Publicado em 03/03/2026, às 14h17
O governo brasileiro calcula que cerca de 70 mil cidadãos vivem atualmente no Oriente Médio, região que enfrenta uma nova escalada militar desde o fim de semana, com centenas de mortos e feridos. Diante do agravamento do conflito envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos, o Itamaraty informou que monitora a situação e mantém as embaixadas mobilizadas para prestar assistência consular.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores, o número é uma estimativa, já que o registro de brasileiros no exterior não é obrigatório. Até agora, não há confirmação de brasileiros entre as vítimas.
No sábado (28), o governo emitiu alerta consular recomendando que brasileiros evitem viagens a doze países da região, entre eles Irã, Israel, Catar, Emirados Árabes Unidos, Líbano, Jordânia e Arábia Saudita. Para quem já está nesses locais, a orientação é redobrar os cuidados e procurar abrigo em caso de ataques. Em São Paulo, alguns voos foram cancelados no aeroporto de Guarulhos.
Em nota, o Itamaraty orienta que, durante bombardeios, a população busque estações de metrô, estacionamentos subterrâneos ou áreas protegidas. Dentro de casa, a recomendação é permanecer em cômodos internos, longe de janelas, e manter portas fechadas.
No Irã, a situação é ainda mais delicada. A internet está cortada, o que dificulta a comunicação com a comunidade brasileira. O embaixador do Brasil em Teerã, André Vera Guimarães, afirmou que qualquer solicitação de ajuda precisa ser feita presencialmente na embaixada. Ele relatou que os ataques são frequentes e atingem diferentes pontos da capital iraniana, e recomendou que os brasileiros permaneçam em casa.
Seis integrantes de uma equipe brasileira de futebol que estavam em Teerã conseguiram atravessar a fronteira com a Turquia. Até o momento, segundo o embaixador, não houve novos pedidos de saída do país.
Nos Emirados Árabes Unidos, o chanceler Mauro Vieira conversou com autoridades locais para tratar da situação de turistas brasileiros que estão no país ou retidos nos aeroportos de Dubai e Abu Dhabi. Há relatos de passageiros sem previsão de retorno ao Brasil.
O governo brasileiro divulgou nota condenando os ataques e defendendo o diálogo como única saída para conter a crise. O assessor especial da Presidência, Celso Amorim, alertou para o risco de consequências econômicas globais, como eventual impacto no preço do petróleo, caso a tensão se intensifique.