Faixa de Gaza

Governo israelense aprova cessar-fogo e troca de reféns com Hamas

O acordo prevê a libertação de 33 reféns em Gaza e centenas de prisioneiros palestinos, com negociações em andamento para um acordo definitivo

Representantes de Egito, Catar e EUA se reúnem para discutir a implementação do cessar-fogo, enquanto ataques aéreos continuam na região. - Imagem: Divulgação / Governo de Israel

Marina Milani Publicado em 18/01/2025, às 13h26

Na madrugada deste sábado (18), o governo de Israel anunciou a aprovação de um plano de cessar-fogo na Faixa de Gaza. O acordo, conforme divulgado por um comunicado do gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, inclui a libertação de reféns sequestrados pelo Hamas em troca da soltura de prisioneiros palestinos.

O Conselho de Ministros de Israel concedeu a aprovação final ao acordo após a validação do gabinete de segurança nacional, mesmo diante da oposição expressa por membros da extrema direita. O gabinete afirmou que a implementação do acordo é essencial para alcançar os objetivos estabelecidos na guerra em curso.

O plano prevê uma fase inicial de seis semanas, durante as quais 33 reféns serão libertados em Gaza. Em contrapartida, centenas de prisioneiros palestinos atualmente detidos em Israel serão soltos. A negociação para o encerramento definitivo do conflito será realizada durante essa etapa inicial.

Representantes do Egito, Catar e Estados Unidos, que atuam como mediadores do conflito, se reuniram recentemente no Cairo com uma delegação israelense para discutir as disposições necessárias para a implementação do cessar-fogo.

Embora um acordo tenha sido anunciado na quarta-feira pelos mediadores, os ataques aéreos israelenses continuaram na região, resultando em mais de 100 mortes segundo fontes de resgate locais. Este cessar-fogo se torna um passo significativo após 15 meses de intensos combates.

A primeira rodada de liberação está prevista para começar no domingo (19). As famílias dos reféns foram informadas e estão se preparando para recebê-los. Fontes ligadas ao Hamas indicaram que o primeiro grupo a ser libertado incluirá três mulheres israelenses. Em troca, Israel concordou em liberar alguns prisioneiros considerados importantes.

A situação é especialmente delicada para as famílias dos reféns. O caso do bebê Kfir Bibas, que foi sequestrado junto com seu irmão e que completaria dois anos neste sábado, desperta uma atenção particular. Embora o Hamas tenha declarado que Kfir faleceu em um bombardeio, há esperança entre alguns familiares quanto à sua sobrevivência.

O Ministério da Justiça de Israel divulgou uma lista com 95 prisioneiros palestinos que farão parte da troca. Dentre eles, estão 70 mulheres e 25 homens, incluindo 9 menores de idade. Para evitar manifestações públicas durante a libertação dos prisioneiros palestinos, as autoridades israelenses implementaram medidas restritivas.

As negociações que culminaram neste acordo foram aceleradas após um longo período sem avanços e ocorrem em um contexto político sensível com o retorno esperado de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos. A primeira fase do acordo não apenas envolve a troca de reféns e a realização do cessar-fogo, mas também contempla a retirada das forças israelenses das áreas densamente povoadas.

A segunda fase terá como foco a libertação dos reféns restantes, enquanto a terceira etapa se concentrará na reconstrução das áreas afetadas e no retorno dos corpos dos reféns falecidos. No entanto, o cessar-fogo não resolve questões sobre o futuro político da Faixa de Gaza, que enfrenta desafios significativos sob o governo enfraquecido do Hamas desde 2007.

Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Palestina e rival do Hamas, declarou que seu governo está preparado para assumir "toda a responsabilidade" na administração da Gaza após o conflito. Entretanto, Israel manifesta resistência a qualquer forma futura de administração pela Autoridade Palestina ou pelo Hamas, enquanto os palestinos rejeitam qualquer interferência externa nas suas questões internas.

Donald Trump acordo de paz Benjamin Netanyahu libertação reféns Hamas reconstrução Gaza

Leia também