Segundo Emmanuel Macron, atual presidente do país, a verba será direcionada a áreas que acolhem os deslocados pelo conflito
William Oliveira Publicado em 24/10/2024, às 09h52
A França anunciou, nesta quinta-feira (24), um pacote de assistência financeira no valor de 100 milhões de euros (aproximadamente R$ 614 milhões) destinado ao Líbano, em resposta à guerra que o país enfrenta contra o grupo Hezbollah, apoiado pelo Irã e localizado em território libanês.
Segundo o presidente francês, Emmanuel Macron, a verba será direcionada a áreas que acolhem os deslocados pelo conflito, que já forçou cerca de um milhão de libaneses a deixarem suas residências, segundo dados das Nações Unidas. O número de mortos devido aos bombardeios já ultrapassa 2.500.
Esta iniciativa insere-se no contexto de um movimento europeu mais amplo, com países como Itália e Alemanha também contribuindo financeiramente para ajudar o Líbano durante a crise. A Itália anunciou recentemente um auxílio adicional de 10 milhões de euros (R$ 61,4 milhões), enquanto a Alemanha prometeu mais 60 milhões de euros (R$ 368,4 milhões) em apoio à população libanesa. Em contraste, os Estados Unidos têm intensificado seu apoio a Israel.
O agravamento do conflito exacerbou ainda mais a já crítica situação econômica do Líbano, classificada pelo Banco Mundial como uma das mais severas globalmente, antes mesmo do início das hostilidades. A França, antiga potência colonial no Líbano, procura liderar as ações europeias de apoio ao país.
Macron expressou preocupação com as operações militares israelenses contínuas no Líbano e reiterou seu apelo por um cessar-fogo imediato. O chefe de Estado francês destacou a necessidade urgente de assistência para os deslocados pela guerra e para as comunidades que os recebem.
"No curto prazo, é necessária uma ajuda massiva para a população libanesa, tanto para os centenas de milhares de pessoas deslocadas pela guerra quanto para as comunidades que as acolhem", afirmou Macron.
Em meio a essa crise humanitária, o Líbano também enfrenta desafios políticos internos significativos. O país permanece sem presidente há dois anos devido a impasses entre partidos políticos, enquanto o Hezbollah continua a exercer uma influência considerável dentro do território libanês.
A situação dos deslocados é crítica; cerca de 800 mil pessoas estão vivendo em abrigos superlotados, e outras 200 mil buscaram refúgio na Síria. Com recursos limitados, o governo libanês encontra-se mal preparado para lidar com as consequências da guerra. Ataques aéreos resultaram na evacuação de vários hospitais por temor de ataques diretos.
Nos últimos dias, Macron tem endurecido sua retórica contra Israel, pedindo um cessar-fogo tanto no Líbano quanto em Gaza e criticando duramente o que classificou como "custo humano insuportável" dos conflitos. As tensões entre França e Israel aumentaram após Macron pedir que as exportações de armas da Europa para uso em Gaza fossem suspensas.
Uma conferência internacional em Paris reúne ministros e representantes de mais de 70 países e organizações internacionais para discutir o apoio ao Líbano. Durante o evento, busca-se assegurar que os doadores internacionais compreendam plenamente as necessidades urgentes do país afetado pela guerra.
Entre os objetivos da França está coordenar esforços para fortalecer as Forças Armadas Libanesas, potencializando sua presença no sul do país como parte de uma possível solução pacífica. Isso incluiria equipar e treinar militares libaneses com o intuito de garantir uma defesa eficaz contra incursões externas.
A UNIFIL (Força Interina das Nações Unidas no Líbano), que conta com 10.500 soldados, é outro foco das discussões. Países europeus como França, Itália e Espanha contribuem significativamente com tropas para essa missão de paz. A Itália defende o fortalecimento dessa força para lidar com os desafios atuais no terreno.