Resultado Eleitoral

G7 fortalece apoio a González e clama por transição pacífica na Venezuela

De acordo com o CNE, Nicolás Maduro conquistou 52,21% dos votos, contra 44,2% obtidos por González, enquanto a oposição alegou fraude no processo eleitoral

G7 fortalece apoio a González e clama por transição pacífica na Venezuela - Imagem: Reprodução / Instagram / @egonzalezurrutia

William Oliveira Publicado em 27/11/2024, às 08h37

Em uma declaração emitida na terça-feira (26), os ministros das Relações Exteriores do Grupo dos Sete (G7), que reúne as nações mais desenvolvidas do globo, manifestaram apoio ao candidato oposicionista venezuelano Edmundo González. O comunicado destaca que González obteve uma vitória expressiva nas eleições presidenciais e apela para que o resultado eleitoral seja respeitado.

"No dia 28 de julho o povo venezuelano fez uma escolha clara nas urnas, votando mudança e apoiando Edmundo González. Continuaremos a apoiar os esforços das organizações regionais parceiros para facilitar uma transição democrática e pacífica liderada pela Venezuela que garantirá respeito pela vontade dos eleitores", afirma o documento.

Além disso, o G7 expressou preocupações sobre as contínuas violações de direitos humanos no país, mencionando detenções arbitrárias e restrições às liberdades fundamentais que afetam particularmente opositores políticos e veículos de comunicação independentes. "Exigimos a libertação de todos os detidos injustamente", solicitaram os ministros.

Entretanto, o governo de Nicolás Maduro, declarado reeleito pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE), reagiu com desagrado à declaração do G7. Em comunicado oficial, o Ministério das Relações Exteriores da Venezuela classificou o posicionamento como "absurdo" e acusou o grupo de se autoproclamar "árbitro da democracia mundial", enquanto negligencia suas próprias falhas internas em várias esferas.

O Ministério advertiu que tal postura pode afetar negativamente as relações diplomáticas entre a Venezuela e os países membros do G7.

"Essa atitude arrogante não ficará sem resposta. A Venezuela procederá a uma revisão abrangente das suas relações com cada um dos governos que compõem este grupo, porque o respeito pela soberania nacional não é negociável", declarou.

A crise política na Venezuela se agravou após as eleições deste ano. De acordo com o CNE, Maduro conquistou 52,21% dos votos, contra 44,2% obtidos por González. A oposição alegou irregularidades no processo eleitoral e afirmou ter evidências da vitória de González, contestando os resultados oficiais.

Governos internacionais como os do Panamá, Reino Unido, Chile, Argentina, Uruguai, Brasil e Colômbia também levantaram dúvidas sobre a transparência da apuração e solicitaram acesso às atas eleitorais. Com a recusa do Tribunal de Justiça da Venezuela em liberar tais documentos, algumas nações se recusaram a reconhecer a reeleição de Maduro.

Protestos se espalharam pelo país em resposta ao desenrolar político. Manifestações ocorreram em diversas regiões, resultando em confrontos com as forças policiais e danos ao patrimônio público associado ao regime chavista. Maduro prometeu penas severas para os envolvidos nos protestos violentos.

Além dos manifestantes, Maduro ordenou a prisão de Edmundo González e Maria Corina Machado, acusando-os de incitar os distúrbios. González enfrentou acusações legais por usurpação de funções eleitorais e falsificação de documentos oficiais. Após ser convocado repetidamente para depoimentos aos quais não compareceu, um mandado de prisão foi emitido contra ele.

Visando sua segurança pessoal, González negociou um exílio voluntário e partiu para a Espanha em setembro. De solo espanhol, ele declarou sua intenção de assumir a presidência venezuelana em janeiro do próximo ano.

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