Missão Espacial

Falha em cápsula espacial interrompe homenagem póstuma e deixa famílias sem despedida

A missão, realizada pela The Exploration Company e Celestis, permitiu o envio de cinzas e DNA de entes queridos ao espaço

Cápsula espacial Nyx, usada para transportar cinzas em missão memorial no espaço - Imagem: Divulgação / The Exploration Company

William Oliveira Publicado em 08/07/2025, às 13h19

Uma startup alemã está apurando a perda de uma cápsula espacial que levava as cinzas de 166 pessoas, enviadas ao espaço em uma missão memorial com retorno previsto à Terra.

A cápsula, batizada de Nyx Mission Possible, deveria realizar duas voltas ao redor do planeta no fim de junho antes de retornar com as urnas. No entanto, a comunicação foi interrompida durante a reentrada na atmosfera.

Além das cinzas, a carga incluía amostras vegetais e sementes de cannabis, parte de um experimento para estudar os efeitos da microgravidade no cultivo da planta, com foco em missões futuras para Marte.

A missão foi realizada pela The Exploration Company (TEC) em parceria com a americana Celestis, especializada em serviços funerários espaciais, permitindo o envio de cinzas ou DNA de entes queridos — humanos ou animais — como forma de tributo.

Após completar as órbitas, a cápsula deveria retornar com imagens da missão, promovida como o "dia em que seu ente querido tocou o céu". Em 2024, a Celestis já havia enviado ao espaço as cinzas de figuras históricas ligadas à franquia Star Trek, incluindo seu criador, Gene Roddenberry.

Os pacotes funerários oferecidos pela empresa variam de 3.495 a 49.995 dólares (cerca de R$ 19 mil a R$ 274 mil). Os mais simples envolvem breves momentos em microgravidade; os mais avançados incluem órbitas prolongadas e até missões ao espaço profundo. Há também um serviço que prevê o pouso do módulo na Lua com posterior retorno à Terra.

A TEC afirma que todas as missões seguem as legislações nacionais e internacionais, com protocolos simples e garantias de desempenho.

Sobre a missão perdida, a empresa informou via LinkedIn que conseguiu restabelecer contato com a cápsula após o blecaute térmico típico da reentrada. No entanto, a comunicação foi novamente interrompida pouco antes da abertura dos paraquedas, a cerca de 26 km de altitude.

Uma equipe independente foi designada para investigar a falha, e os resultados serão compartilhados com clientes e investidores. A empresa pediu desculpas a todos que confiaram suas cargas à missão.

"Acreditamos que não será possível recuperar ou devolver as cápsulas de voo. Compartilhamos da decepção das famílias e oferecemos nossa mais sincera gratidão pela confiança", declarou o CEO da Celestis, Charles Chafer.

Chafer expressou pesar e gratidão às famílias, afirmando que espera que encontrem algum consolo ao saber que seus entes queridos fizeram parte de uma jornada histórica

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