Europa une forças por segurança e apoio à Ucrânia em encontro em Londres

Primeiro-ministro britânico reafirma apoio incondicional à Ucrânia durante cúpula com líderes de quase 20 nações

Reunião em Bruxelas discute financiamento conjunto para fortalecer a defesa europeia e a segurança na região. - Imagem: Reprodução | X (Twitter) - @AFPnews

Marina Milani Publicado em 02/03/2025, às 16h43

O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, destacou neste domingo (2) a urgência de um "momento único em uma geração" para que a Europa consolide sua segurança. A declaração ocorreu durante uma cúpula em Londres, que reuniu líderes de quase 20 nações e organizações aliadas da Ucrânia. O evento se deu dois dias após um intenso confronto retórico entre Donald Trump e Volodymyr Zelensky na Casa Branca.

Na abertura do encontro, Starmer reafirmou o apoio incondicional à Ucrânia, assegurando a Zelensky que todos os líderes presentes estão comprometidos em ajudar o país por tempo indeterminado. "Saiba que estaremos todos com você e com o povo da Ucrânia durante o tempo que for necessário", declarou. Antes da cúpula, o premiê britânico anunciou que Reino Unido e França estão desenvolvendo um plano com a Ucrânia para buscar uma resolução pacífica para o conflito com a Rússia, proposta que será discutida com os Estados Unidos em momento oportuno.

A cúpula contou com a presença de líderes de diversas nações, incluindo França, Alemanha, Dinamarca, Itália, Turquia, Países Baixos, Noruega, Polônia, Espanha, Finlândia, Suécia, República Tcheca e Romênia. Também marcaram presença Mark Rutte, secretário-geral da Otan; Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia; António Costa, presidente do Conselho Europeu; e Justin Trudeau, primeiro-ministro do Canadá.

A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, reforçou a determinação do seu país em apoiar a defesa da Ucrânia e enfatizou a importância de manter a unidade entre as nações ocidentais. "Estamos todos muito comprometidos com um objetivo comum: alcançar uma paz justa e duradoura na Ucrânia", afirmou Meloni.

O encontro ocorre em um contexto de crescente preocupação acerca das negociações bilaterais entre Donald Trump e Vladimir Putin sobre o fim do conflito, que têm sido conduzidas sem a participação da Ucrânia ou dos líderes europeus. O presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, criticou essa dinâmica e defendeu a soberania da Ucrânia. "A era dos países subordinados chegou ao fim. Hoje defendemos uma ordem internacional onde prevalecem países livres e soberanos", escreveu Sánchez em suas redes sociais.

A cúpula também antecede uma reunião europeia agendada para 6 de março em Bruxelas para discutir questões relacionadas à Ucrânia. Durante o encontro, o presidente francês Emmanuel Macron sugeriu um financiamento conjunto de "centenas de bilhões de euros" para fortalecer a defesa europeia. O primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, enfatizou a capacidade militar da Europa ao afirmar: "A Europa possui 2,6 milhões de soldados, mais do que EUA, China ou Rússia. Temos uma vantagem significativa aqui".

No sábado à noite, o governo britânico anunciou um acordo de empréstimo no valor de 2,26 bilhões de libras esterlinas (aproximadamente R$ 16,6 bilhões) destinado ao fortalecimento da defesa ucraniana. Mark Rutte reiterou a necessidade de aumentar os esforços conjuntos. "Todos na Europa precisarão contribuir mais para apoiar a Ucrânia", afirmou. A reunião também abordou os desafios atuais da segurança europeia e as próximas etapas necessárias para assegurar um sistema de defesa robusto frente às preocupações sobre um possível recuo dos Estados Unidos em seus compromissos militares e nucleares no continente.

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