INTERVENÇÃO

EUA reagem à prisão de Bolsonaro e ameaçam aliados do STF: "Deixem falar"

A medida, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, foi motivada por suposto descumprimento de medidas cautelares por parte do ex-presidente

Governo dos EUA expressa preocupação com a decisão - Imagem: Reprodução / PR / Isac Nóbrega

William Oliveira Publicado em 05/08/2025, às 12h40

A recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que impôs prisão domiciliar ao ex-presidente Jair Bolsonaro, reacendeu a atenção internacional — especialmente por parte do governo dos Estados Unidos, durante a gestão do ex-presidente Donald Trump. A medida, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, foi motivada por suposto descumprimento de medidas cautelares por parte de Bolsonaro.

Em reação, o Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental, órgão do Departamento de Estado norte-americano, criticou publicamente a decisão do STF por meio das redes sociais. Em tom de reprovação, o comunicado sugeriu que haveria consequências para aqueles que colaborassem com as ações judiciais em curso no Brasil.

"Deixem Bolsonaro falar! Os Estados Unidos condenam a ordem de Moraes que impôs prisão domiciliar a Bolsonaro e responsabilizarão todos aqueles que colaborarem ou facilitarem condutas sancionadas", afirmou o Escritório.

A declaração causou forte repercussão no cenário político nacional. O deputado Lindbergh Farias, líder do Partido dos Trabalhadores (PT) na Câmara, classificou a manifestação dos EUA como “inaceitável” e reforçou a importância da soberania brasileira.

“A independência conquistada em 1822 não será revogada por pressão estrangeira nem por sanções ideológicas articuladas por Eduardo Bolsonaro e seus aliados no exterior”, afirmou.

Jair Bolsonaro é investigado por suposta tentativa de subversão do processo eleitoral de 2022, incluindo pressões sobre militares para anular os resultados e articulações para desestabilizar autoridades do Judiciário. A situação se agrava com o envolvimento do deputado federal Eduardo Bolsonaro, que teria atuado junto ao governo Trump na promoção de retaliações contra ministros do STF.

Eduardo solicitou licença de seu mandato e viajou aos Estados Unidos, onde passou a defender a imposição de sanções contra membros da Suprema Corte brasileira. Como consequência, a Procuradoria-Geral da República (PGR) abriu nova investigação sobre possível tentativa de obstrução de justiça.

A ordem de prisão domiciliar contra Bolsonaro foi expedida após o descumprimento de restrições impostas anteriormente, incluindo a proibição do uso de redes sociais. A defesa alega que a medida foi desproporcional e que as publicações não representaram quebra de ordem judicial. Um dos argumentos centrais da defesa cita um vídeo publicado por Flávio Bolsonaro em um evento público no Rio de Janeiro como sendo o verdadeiro foco da controvérsia.

O ministro Alexandre de Moraes justificou sua decisão afirmando que: “A Justiça não permitirá que um réu a faça de tola, achando que ficará impune por ter poder político e econômico A Justiça é igual para todos. O réu que descumpre deliberadamente as medidas cautelares - pela segunda vez- deve sofrer as consequências legais.”

O caso vem sendo acompanhado com atenção por observadores internacionais, especialistas em relações exteriores e defensores do Estado democrático de direito. A crescente tensão entre Brasil e Estados Unidos reacende debates sobre os limites da intervenção estrangeira, o papel das instituições e a integridade das decisões judiciais em contextos de crise política.

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