Decisão do governo Trump preocupa mercado global em meio à tensão no Estreito de Ormuz
Manoela Cardozo Publicado em 17/05/2026, às 06h00
O governo dos Estados Unidos deixou expirar neste sábado uma autorização que permitia a países continuarem comprando petróleo russo transportado por via marítima, medida que pode ampliar ainda mais a tensão no mercado internacional de energia.
A decisão acontece em meio à crise provocada pelo fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, cenário que já vinha pressionando o abastecimento global e elevando os preços do petróleo.
O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, já havia sinalizado anteriormente que não pretendia renovar a licença que permitia negociações envolvendo petróleo russo armazenado em navios-tanque.
Até o fim da tarde deste sábado, o Departamento do Tesouro não havia publicado nenhuma extensão oficial da medida. Procurado pela imprensa americana, um porta-voz da pasta evitou comentar o assunto.
Nos bastidores de Washington, a decisão também ganhou pressão política. As senadoras democratas Jeanne Shaheen e Elizabeth Warren defenderam que a autorização não fosse renovada, alegando que a medida acabava beneficiando economicamente a Rússia durante a guerra na Ucrânia.
A autorização temporária havia sido prorrogada anteriormente pelo governo de Donald Trump como tentativa de aliviar os impactos da disparada no preço da energia causada pelo conflito envolvendo Irã e Estados Unidos.
Mesmo com medidas emergenciais adotadas pela Casa Branca, os preços dos combustíveis continuam elevados nos EUA. O petróleo segue oscilando próximo da marca de US$ 100 por barril desde o início da guerra no Oriente Médio.
Trump também afirmou recentemente que discutiu com Xi Jinping a possibilidade de rever sanções contra empresas chinesas que compram petróleo iraniano. Segundo o presidente americano, uma decisão sobre o tema deve ser tomada em breve.
A Índia segue entre os maiores compradores de petróleo russo transportado por via marítima, mantendo importações elevadas nos últimos meses após flexibilizações anteriores das sanções americanas.