Tarifas sobre importações da China caem de 145% para 30%, enquanto as taxas dos EUA vão de 125% para 10%
William Oliveira Publicado em 12/05/2025, às 12h57
Recentemente, os Estados Unidos e a China chegaram a um entendimento significativo para a diminuição temporária das tarifas recíprocas, uma decisão que supera as expectativas do mercado. Esse movimento ocorre em um contexto onde ambas as nações, as maiores economias globais, tentam encerrar uma prolongada guerra comercial que gerou apreensões de recessão e impactou negativamente os mercados financeiros.
De acordo com o anúncio feito nesta segunda-feira (12), as tarifas adicionais que os EUA aplicam sobre as importações da China serão reduzidas de 145% para 30%, enquanto as taxas chinesas sobre produtos norte-americanos cairão de 125% para 10%. As novas tarifas entram em vigor por um período de 90 dias.
Essa notícia trouxe alívio ao mercado, amenizando as preocupações relacionadas a uma desaceleração econômica que surgiu após o aumento das tarifas promovido pelo presidente Donald Trump, cujo objetivo era mitigar o déficit comercial dos Estados Unidos.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, expressou que ambas as partes conseguiram defender seus interesses nacionais de forma eficaz.
"Tanto os Estados Unidos quanto a China estão comprometidos com um comércio mais equilibrado, e os EUA continuarão a trabalhar nesse sentido", declarou Bessent durante uma coletiva de imprensa ao lado do representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer.
O evento aconteceu após as negociações realizadas no final de semana em Genebra, onde houve reconhecimento do progresso na redução das divergências comerciais. Bessent ressaltou que não há tarifas específicas designadas para setores particulares no acordo, afirmando que os EUA seguirão em seu esforço para reequilibrar a economia em áreas estratégicas como medicamentos, semicondutores e aço, onde foram identificadas vulnerabilidades nas cadeias de suprimento.
Desde que assumiu o cargo em janeiro, Trump aumentou as tarifas sobre produtos chineses para níveis elevados, além das taxas já impostas durante seu primeiro mandato e aquelas estabelecidas pelo governo Biden. Em resposta, a China também implementou restrições às exportações de elementos raros essenciais para indústrias norte-americanas e elevou suas tarifas sobre produtos dos EUA para 125%.
O economista-chefe da Pinpoint Asset Management em Hong Kong, Zhiwei Zhang, comentou positivamente sobre o acordo, afirmando: "Isso é melhor do que eu esperava. Achei que as tarifas seriam reduzidas para algo em torno de 50%. Essa é uma excelente notícia tanto para as economias americana e chinesa quanto para o cenário econômico global como um todo". Zhang ainda acrescentou que essa redução deve aliviar a preocupação dos investidores com possíveis danos às cadeias globais de suprimento no curto prazo.
A disputa tarifária entre os dois países impactou cerca de US$ 600 bilhões em comércio bilateral, resultando em interrupções nas cadeias de suprimento e contribuindo para temores de estagflação e demissões em diversos setores.
Antes da conclusão das negociações, Trump fez uma avaliação positiva do diálogo, referindo-se à interação como uma "reinicialização total... realizada de maneira amigável e construtiva". As tarifas foram impostas inicialmente após a declaração de emergência nacional devido à entrada do fentanil nos EUA. Greer também mencionou que as conversas sobre restrições ao opioide foram produtivas, embora tratadas em uma abordagem separada.