Ação militar ocorre em meio à escalada do conflito e impactos no mercado global de energia
Letícia Sales Publicado em 21/03/2026, às 18h37
O Exército dos Estados Unidos afirmou neste sábado (21) ter destruído uma instalação militar subterrânea do Irã localizada no estratégico Estreito de Ormuz. Segundo o Comando Central dos Estados Unidos, o bunker abrigava armamentos considerados uma ameaça direta ao transporte marítimo internacional.
De acordo com o almirante Brad Cooper, aeronaves de combate foram responsáveis pela ofensiva, realizada no início da semana. “Não apenas destruímos a instalação, como também destruímos locais de apoio de inteligência e repetidores de radar de mísseis que eram utilizados para monitorar os movimentos dos navios”, declarou.
Ainda segundo Cooper, a operação reduziu a capacidade de Teerã de “ameaçar a liberdade de navegação no estreito de Ormuz e em seus arredores”. A região é considerada uma das mais estratégicas do mundo, por onde passa cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito consumidos globalmente.
O governo iraniano mantém restrições ao tráfego na área desde ataques sofridos no fim de fevereiro, intensificando a crise. Como reflexo direto, o preço do barril de petróleo tipo Brent registrou alta entre 30% e 40% no último mês, sendo negociado atualmente em torno de US$ 105.
A escalada do conflito também levanta preocupações sobre instalações nucleares. Autoridades iranianas acusaram os Estados Unidos e Israel de atingirem a usina de Natanz, que abriga centrífugas para enriquecimento de urânio. Não houve, no entanto, registro de vazamento radioativo.
A Agência Internacional de Energia Atômica, por meio de seu diretor Rafael Grossi, pediu cautela diante do risco de agravamento. Ele fez um apelo por “moderação militar para evitar qualquer risco de acidente nuclear”.
Enquanto isso, a Rússia classificou os ataques como “irresponsáveis”, alertando para a possibilidade de uma crise regional de grandes proporções.
No campo político, o Irã vive um momento de incerteza após a morte do líder supremo Ali Khamenei, sucedido por seu filho, Mojtaba Khamenei, que ainda não apareceu publicamente desde o início do conflito recente.
Do lado israelense, o ministro da Defesa, Israel Katz, indicou que as operações militares devem se intensificar. “Não vamos parar até que todos os objetivos da guerra tenham sido alcançados”, afirmou.
Já o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que o país está “prestes a alcançar” seus objetivos estratégicos, mas descartou, por ora, qualquer possibilidade de cessar-fogo.
O cenário segue marcado por incertezas, com risco de ampliação do conflito e impactos diretos na economia global e na segurança internacional.