Ataques americanos atingiram depósitos de mísseis, drones e sistemas de radar no litoral iraniano. Washington afirma que Teerã descumpriu o acordo de cessar fogo ao atacar embarcações comerciais na principal rota marítima do petróleo mundial.
Ana Beatriz Publicado em 26/06/2026, às 21h29
Os Estados Unidos voltaram a realizar ataques militares contra alvos iranianos nesta sexta feira, 26 de junho, elevando novamente a tensão no Oriente Médio. A ofensiva ocorreu na região estratégica do Estreito de Ormuz, poucas horas após o presidente Donald Trump acusar o Irã de violar o cessar fogo firmado entre os dois países ao promover ataques contra embarcações comerciais que navegavam pela região.
Segundo o Comando Central das Forças Armadas dos Estados Unidos, o CentCom, os bombardeios tiveram como alvo depósitos de mísseis, bases de armazenamento de drones e sistemas de radar utilizados pela defesa costeira iraniana. Washington afirma que a operação teve caráter defensivo e foi necessária para proteger a liberdade de navegação em uma das rotas comerciais mais importantes do planeta.
A escalada aconteceu após Trump afirmar que o Irã lançou pelo menos quatro drones contra navios que atravessavam o Estreito de Ormuz. De acordo com o presidente americano, um dos equipamentos atingiu um cargueiro de bandeira singapuriana, provocando danos na embarcação, enquanto outros três drones teriam sido interceptados pelas forças americanas. Trump classificou o episódio como uma violação do acordo de cessar fogo firmado dias antes entre Washington e Teerã.
Em resposta, autoridades iranianas negaram responsabilidade pelas acusações americanas e acusaram os Estados Unidos de ampliarem o conflito. A Guarda Revolucionária afirmou que responderá de forma rápida e decisiva caso novos ataques sejam realizados contra o território iraniano, aumentando o temor de uma nova escalada militar na região.
O Estreito de Ormuz é considerado um dos pontos geopolíticos mais sensíveis do mundo. Aproximadamente um quinto de todo o petróleo consumido globalmente passa diariamente pela estreita faixa marítima que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Oceano Índico. Qualquer interrupção no tráfego marítimo pode provocar impactos imediatos no preço internacional do petróleo, no transporte de combustíveis e na economia global.
O episódio representa a primeira grande troca de hostilidades desde o anúncio de um acordo preliminar de paz entre Estados Unidos e Irã. Analistas internacionais alertam que o rompimento do cessar fogo pode comprometer as negociações diplomáticas em andamento e aumentar o risco de novos confrontos envolvendo aliados dos dois países em toda a região do Oriente Médio.