Ataques americanos atingiram sistemas de defesa aérea e radares; Teerã promete resposta e afirma que nenhuma agressão ficará sem reação
Julio Cezar Souza Publicado em 10/06/2026, às 08h28
Os Estados Unidos realizaram nesta terça-feira (9) uma série de bombardeios contra alvos no território iraniano em resposta à derrubada de um helicóptero Apache do Exército americano na região do Estreito de Ormuz, ocorrida no dia anterior. A ação foi ordenada pelo presidente Donald Trump e executada pelo Comando Central dos EUA (Centcom).
Em comunicado divulgado nas redes sociais, o Centcom informou que os ataques começaram no fim da tarde e foram classificados como uma medida de autodefesa. Segundo os militares americanos, a operação teve como objetivo responder de forma proporcional ao que Washington considera uma agressão iraniana injustificada.
Posteriormente, o comando militar detalhou que os bombardeios atingiram sistemas de defesa antiaérea, estações de controle e radares responsáveis pelo monitoramento do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas para o comércio global de petróleo.
O ataque ocorreu poucas horas após Donald Trump acusar publicamente o Irã pela derrubada do helicóptero Apache e prometer uma resposta firme. Em entrevista à emissora ABC, o presidente afirmou que considerava essencial reagir ao incidente e classificou a ofensiva como uma resposta forte e necessária.
Autoridades americanas disseram que os alvos estavam concentrados na região do Estreito de Ormuz, área que ganhou importância ainda maior desde o início do conflito. Os Estados Unidos tentam restabelecer a circulação na rota marítima, enquanto o Irã mantém restrições que afetam o tráfego internacional.
Agências de notícias estatais iranianas relataram explosões e ataques em diferentes pontos do sul do país, incluindo a ilha de Qeshm e cidades como Bandar Abbas, Sirik, Kohstak e Minab. Inicialmente, os veículos locais informaram apenas que os ataques tinham origem desconhecida.
Pouco depois da ofensiva americana, a Guarda Revolucionária do Irã prometeu uma resposta contundente. O chanceler Abbas Araghchi declarou que o país não deixará nenhum ataque ou ameaça sem resposta e afirmou que os Estados Unidos deveriam deixar a região caso desejem permanecer seguros.
Segundo a mídia estatal iraniana, Teerã respondeu aos bombardeios com ataques direcionados à Quinta Frota Naval dos Estados Unidos, baseada no Bahrein. Até o momento, não há informações detalhadas sobre possíveis danos ou vítimas decorrentes dessa ação.
O novo episódio aumenta as incertezas sobre o cessar-fogo que vinha sendo mantido desde o início de abril. Apesar da trégua, Israel e Irã já haviam trocado ataques nos últimos dias, em episódios criticados pelo próprio Trump.
Mesmo diante da escalada militar, autoridades americanas afirmam que Washington continua buscando uma solução diplomática para encerrar o conflito. Na segunda-feira, Trump declarou que as negociações estavam em fase final, embora integrantes do governo reconheçam que os acontecimentos recentes podem dificultar o avanço das conversas.
O helicóptero Apache AH-64 caiu na região do Estreito de Ormuz por volta das 18h30 de segunda-feira, segundo informações do Comando Central dos EUA. Os dois militares que estavam a bordo foram resgatados cerca de duas horas depois e passam bem.
De acordo com o capitão Tim Hawkins, porta-voz militar americano, o resgate ocorreu no mar e contou com o apoio de um drone marítimo não tripulado. As autoridades ainda investigam as causas da queda.
Uma autoridade militar dos Estados Unidos afirmou à agência Associated Press que há indícios de que um drone Shahed iraniano tenha atingido o helicóptero. No entanto, a investigação ainda não concluiu se o ataque foi deliberado ou se houve outra circunstância envolvida no incidente.
Caso seja confirmada a derrubada por ação inimiga, esta será a primeira perda de um helicóptero Apache pelos Estados Unidos desde o início da guerra na região, em 28 de fevereiro. Até então, as forças americanas haviam registrado apenas perdas de drones durante o conflito.
O AH-64 Apache é considerado o principal helicóptero de ataque do Exército dos Estados Unidos e um dos mais avançados em operação no mundo. Em serviço desde 1984, a aeronave pode atingir velocidades superiores a 300 quilômetros por hora e transportar um amplo arsenal de mísseis e armamentos de precisão.