Incertezas políticas podem atrasar medidas essenciais para revitalizar a economia alemã, já afetada por recessão
Gabriela Thier Publicado em 23/02/2025, às 19h06
No último domingo (23), os partidos conservadores da oposição alemã conseguiram uma vitória significativa nas eleições nacionais, colocando Friedrich Merz, líder do partido, em posição favorável para assumir a chancelaria do país. As pesquisas de indicaram que a Alternativa para a Alemanha (AfD), de orientação extrema-direita, alcançou seu melhor desempenho até o momento, garantindo a segunda colocação.
De acordo com os dados divulgados pela emissora pública ZDF, o bloco conservador CDU/CSU recebeu 28,5% dos votos, enquanto a AfD obteve 20%. A campanha eleitoral foi marcada por um clima tenso, com episódios de violência e intervenções externas, notadamente do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Friedrich Merz, aos 69 anos e sem experiência prévia em cargos executivos, comprometeu-se a oferecer uma liderança mais firme em comparação ao atual chanceler Olaf Scholz. Ele também manifestou a intenção de fortalecer os laços com aliados estratégicos e aumentar a influência da Alemanha no contexto europeu.
Merz é visto como um liberal econômico que deslocou o espectro conservador para a direita, representando uma clara ruptura com o legado da ex-chanceler Angela Merkel, que ocupou o cargo por 16 anos. No entanto, apesar do triunfo eleitoral, a CDU/CSU não conquistou uma maioria absoluta em um cenário político cada vez mais fragmentado. Isso implica que Merz e seus aliados precisarão buscar parcerias para formar uma coalizão governamental.
As negociações para essa formação de governo prometem ser desafiadoras, especialmente após uma campanha que evidenciou profundas divisões sobre imigração e o tratamento da AfD. O estigma associado à política de extrema-direita na Alemanha é intensificado pelo histórico nazista do país.
Esse impasse pode deixar Olaf Scholz atuando como primeiro-ministro interino por um período prolongado, o que atrasaria medidas necessárias para revitalizar a maior economia da Europa. O país enfrenta desafios econômicos significativos após dois anos consecutivos de recessão e um ambiente empresarial adverso em relação à concorrência global.
A incerteza política também pode criar um vácuo de liderança na Europa central em um momento crítico. A Alemanha lida com questões como as ameaças de Trump sobre guerras comerciais e esforços para promover um cessar-fogo na Ucrânia sem a participação das potências europeias.
Além disso, o pessimismo entre os cidadãos alemães em relação aos seus padrões de vida atinge níveis alarmantes, semelhantes aos observados durante a crise financeira global de 2008. A mudança nas atitudes do governo sobre imigração reflete uma alteração significativa no sentimento público desde o acolhimento inicial de refugiados durante a crise migratória de 2015 — uma mudança que foi capitalizada pela AfD em suas campanhas eleitorais.