Em uma entrevista à revista Times, o republicano argumentou que muitos dos envolvidos nos protestos estão presos de maneira injusta
William Oliveira Publicado em 13/12/2024, às 10h20
O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que os indivíduos acusados de invadir o Capitólio em 6 de janeiro de 2021 serão perdoados nos primeiros minutos de seu mandato. Em uma entrevista à revista Times, na qual foi nomeado Personalidade do Ano, o republicano argumentou que muitos dos envolvidos nos protestos estão presos de maneira injusta.
"Vamos analisar cada caso individualmente e faremos isso de forma rápida, começando na primeira hora, talvez nos primeiros nove minutos, após eu assumir o cargo [em 20 de janeiro de 2025]. A grande maioria dessas pessoas não deveria estar na prisão e já sofreram demais. Elas foram punidas o suficiente", afirmou Trump.
A declaração faz parte das promessas de campanha do republicano, que sempre minimizou a gravidade da invasão ao Capitólio. Naquele dia, milhares de seus apoiadores invadiram o edifício, que abriga o Congresso, com o intuito de impedir a contagem oficial dos votos da eleição pelo Senado, a qual confirmaria a derrota de Trump e a vitória de Joe Biden.
No total, 1.200 pessoas foram acusadas de crimes federais relacionados à invasão, sendo que cerca de 950 réus já foram condenados e sentenciados. Enrique Tarrio, ex-líder do grupo extremista Proud Boys, foi condenado por conspiração sediciosa e recebeu uma sentença de 22 anos de prisão, a mais longa até o momento.
De acordo com a Justiça dos Estados Unidos, Trump foi o principal incentivador da invasão, pois insistiu, sem evidências, que houve fraude eleitoral. Em 2023, o republicano se tornou réu por tentar reverter o resultado das eleições presidenciais de 2020.
Contudo, uma decisão da Suprema Corte concedeu imunidade a Trump. Mais recentemente, o procurador Jack Smith apresentou uma nova acusação contra o político, alegando que ele agiu com interesse pessoal para anular sua derrota e, por isso, não tem direito à imunidade.
"O tribunal deve determinar que o réu seja julgado por seus crimes privados como qualquer outro cidadão", disse o procurador.