HOLOCAUSTO

Documentos secretos revelam como nazistas se esconderam na América Latina

Mais de 1.850 documentos expõem a história de fugitivos nazistas como Josef Mengele, que se esconderam na Argentina após a guerra

Primeiro plano, da esquerda para a direita: Adolf Hitler; Hermann Göring; Ministro da Propaganda Joseph Goebbels; e Rudolf Hess - Imagem: Reprodução / Wikipédia

William Oliveira Publicado em 29/04/2025, às 12h17

Recentemente, a Argentina fez a divulgação de mais de 1.850 documentos que trazem à tona informações sobre fugitivos nazistas que se estabeleceram no país após o fim da Segunda Guerra Mundial.

Entre os indivíduos mencionados nos arquivos está Josef Mengele, amplamente conhecido como o "Anjo da Morte". Mengele, que era médico e oficial da SS, ficou infame por seus cruéis experimentos realizados em judeus e ciganos no campo de concentração de Auschwitz, além de sua participação na seleção de milhares de prisioneiros que seriam enviados às câmaras de gás.

Outros fugitivos destacados nos documentos incluem Walter Kutschmann, também oficial da SS, Adolf Eichmann, considerado o arquiteto do Holocausto, e Gustav Franz Wagner, comandante do campo de concentração de Sobibor.

Tanto Mengele quanto Wagner encontraram refúgio no Brasil. Mengele residiu em Bertioga, no litoral paulista, por 18 anos antes de falecer afogado. Wagner, apelidado de "Besta de Sobibor", foi encontrado morto em Atibaia, a cerca de 50 km da capital paulista, em circunstâncias violentas.

Os documentos foram organizados em sete volumes e estão disponíveis no site do Arquivo Geral da Nação (AGN). Embora o sigilo sobre esses registros tenha sido levantado na década de 90, devido à Lei 232 de 1992, os arquivos permaneceram sem digitalização até agora.

A página do arquivo nacional argentino informa que "esses registros são frutos de investigações realizadas pela Diretoria de Relações Exteriores da Polícia Federal, pela Secretaria de Inteligência do Estado (SIDE) e pela Gendarmaria Nacional entre as décadas de 1950 e 1980".

O título "Anjo da Morte" associado a Mengele deriva principalmente de seu papel na seleção de prisioneiros para execução nas câmaras de gás nos campos de concentração. Após a Segunda Guerra Mundial, ele conseguiu evitar a captura e chegou à Argentina em 20 de junho de 1949 utilizando um passaporte emitido pela Cruz Vermelha Internacional sob o nome fictício Helmut Gregor.

Foto do documento de identificação argentino de Mengele (1956) - Imagem: Reprodução / Wikipédia

 

Em 1961, Mengele se estabeleceu no Brasil, onde viveu até sua morte em 7 de fevereiro de 1979. Ele foi enterrado sob o nome Wolfgang Gerhard no cemitério em Embu. Em 1985, exames periciais confirmaram que os restos mortais eram realmente dele e, posteriormente, em 1992, um teste de DNA corroborou sua identidade ao comparar amostras com as do filho Rolf.

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