Mais de 300 mil páginas de investigações revelam a rede de relações de Epstein e suas conexões com figuras públicas
Redação Publicado em 20/12/2025, às 12h34
Novos documentos da investigação sobre o caso Jeffrey Epstein, divulgados nesta sexta-feira (19) pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, revelaram fotografias inéditas, centenas de páginas com trechos censurados e novas menções ao Brasil. O material integra os chamados “Arquivos Epstein”, liberados após pressão do Congresso norte-americano e em cumprimento a uma legislação sancionada em novembro pelo presidente dos Estados Unidos, diante de cobranças de parlamentares republicanos.
O Diário teve acesso aos documentos e identificou ao menos duas referências diretas ao Brasil. Em uma delas, consta um arquivo de 16 páginas, das quais 13 aparecem totalmente censuradas. Nas anotações iniciais, é possível ler a frase “Foto mostrada – desconhecida para ela”, acompanhada de duas idades. Segundo o registro, a pessoa mencionada, cujo nome foi ocultado, teria viajado ao Brasil aos 18 anos e retornado aos Estados Unidos um ano depois. O contexto do documento indica que a mulher teria sido fotografada sem ter conhecimento da existência da imagem.
Outra menção ao Brasil aparece em um bilhete manuscrito incluído nos arquivos. No texto, lê-se: “Esse é o novo número de celular dela. Por favor, ligar para ela”. O assunto da anotação é identificado como “Brasil”, mas tanto o autor quanto a destinatária da mensagem tiveram suas identidades preservadas pelas autoridades.
Ao todo, mais de 300 mil páginas foram tornadas públicas. Os arquivos reúnem documentos de investigações anteriores, registros internos, imagens e comunicações ligadas ao bilionário Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais e acusado de operar uma rede de exploração de menores com ramificações internacionais. Epstein morreu em 2019, enquanto aguardava julgamento por acusações federais de tráfico sexual.
Entre os materiais divulgados há fotografias que mostram Epstein ao lado de figuras conhecidas mundialmente, incluindo políticos, artistas e membros da realeza. Duas das personalidades que aparecem em imagens com o bilionário são o cantor Michael Jackson e o ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton. Parte das fotos envolvendo Clinton também inclui Ghislaine Maxwell, ex-companheira de Epstein, condenada por crimes relacionados ao esquema de abusos.
Outras imagens mostram mulheres cujos rostos foram ocultados pelas autoridades. Embora grande parte do conteúdo esteja censurada, há documentos que permitem análise parcial dos registros e ajudam a reconstruir a rede de relações mantida por Epstein ao longo dos anos. Segundo o Departamento de Justiça, os trechos suprimidos visam proteger identidades e não comprometer eventuais investigações correlatas.
O caso Epstein começou a ser investigado em 2005, quando a polícia de Palm Beach, na Flórida, recebeu a denúncia da família de uma adolescente de 14 anos que relatou ter sido abusada na mansão do bilionário. Posteriormente, o FBI passou a atuar no caso e colheu depoimentos de diversas adolescentes que afirmaram ter sido contratadas para realizar massagens de cunho sexual. As apurações revelaram um esquema sistemático de aliciamento e abuso, que permaneceu sob investigação por mais de uma década.
A divulgação dos arquivos atende a uma demanda antiga de parte da opinião pública, interessada em saber se associados ricos e influentes de Epstein tinham conhecimento dos abusos ou participaram deles. O Departamento de Justiça afirmou que novas liberações poderão ocorrer, conforme determinações judiciais e legais.