Declarações de ministros e lideranças trabalhistas reacendem debate sobre reingresso britânico no bloco europeu após impactos econômicos e comerciais da saída.
Redação Publicado em 20/05/2026, às 10h27
Uma década depois do referendo que marcou a saída do Reino Unido da União Europeia, o país voltou a discutir publicamente a possibilidade de retornar ao bloco europeu. O tema, que durante anos foi tratado como politicamente tóxico em Londres, reapareceu no centro do debate após declarações de integrantes do governo e lideranças do Partido Trabalhista.
O movimento ganhou força após o ministro do Comércio britânico, Chris Bryant, afirmar que espera ver o Reino Unido novamente integrado à União Europeia no futuro. Em entrevista no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, o ministro classificou o Brexit como um “gol contra” econômico e destacou os prejuízos enfrentados pelo comércio britânico desde a ruptura oficial com o bloco.
Segundo Bryant, cerca de 16 mil empresas do Reino Unido deixaram de exportar para países europeus após o Brexit, afetando diretamente a economia britânica e reduzindo a competitividade internacional do país.
“O futuro do Reino Unido está ligado à Europa”, afirmou o ministro ao defender uma reaproximação gradual com Bruxelas.
O debate ganhou ainda mais repercussão após declarações do ex-ministro da Saúde Wes Streeting, apontado como possível sucessor do premiê Keir Starmer. Ele classificou a saída da União Europeia como um “erro catastrófico”.
Segundo Streeting, o Brexit deixou o Reino Unido “menos rico, menos influente e menos capaz de controlar o próprio destino” desde a Revolução Industrial.
Apesar do avanço das discussões, o governo britânico mantém cautela. Starmer evita defender abertamente um retorno ao bloco europeu, mas tem intensificado acordos de cooperação econômica, segurança e defesa com a União Europeia desde que assumiu o governo.
Nos bastidores, porém, o tema divide o Partido Trabalhista. Enquanto parte da legenda defende a retomada do debate europeu, outros líderes temem reabrir feridas políticas ainda sensíveis entre os eleitores britânicos.
O prefeito de Manchester, Andy Burnham, por exemplo, reconheceu impactos negativos do Brexit, mas afirmou que reabrir formalmente a discussão sobre adesão ao bloco “não seria o caminho neste momento”.
Na oposição, integrantes conservadores reagiram imediatamente às declarações pró-União Europeia. A líder conservadora Kemi Badenoch acusou os trabalhistas de tentar reverter democraticamente o resultado do referendo de 2016.
Já Nigel Farage, um dos principais nomes da campanha pró-Brexit, afirmou que setores da esquerda querem “arrastar” novamente o Reino Unido para dentro da União Europeia.
O Reino Unido deixou oficialmente o bloco europeu em 2020, após quatro anos de negociações políticas e econômicas iniciadas depois do referendo de 2016, quando 51,9% dos eleitores votaram pela saída.
Desde então, especialistas apontam impactos econômicos, dificuldades comerciais, burocracia nas exportações e perda de influência diplomática britânica no continente europeu.
Embora um eventual retorno ainda pareça distante, as recentes declarações mostram que o Brexit deixou de ser um assunto encerrado e voltou a provocar profundas divisões na política britânica.