Presidente Miguel Díaz-Canel denuncia risco de agressão e pede reação da comunidade internacional
Lívia Gennari Publicado em 03/05/2026, às 08h25
O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, respondeu com firmeza às recentes declarações do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que mencionou a possibilidade de “assumir” o controle do país caribenho. Em publicação nas redes sociais, Díaz-Canel afirmou que qualquer tentativa de intervenção encontrará resistência popular.
"Nenhum agressor, por poderoso que seja, encontrará rendição em Cuba. Tropeçará com um povo decidido a defender a soberania e a independência em cada palmo do território nacional", escreveu em uma publicação no X.
Segundo o líder cubano, a fala representa uma escalada preocupante no discurso de Washington, com potencial de agravar tensões históricas entre os dois países. Ele classificou as declarações como um sinal de ameaça em nível “perigoso e sem precedentes”, destacando que a soberania nacional não será negociada.
Díaz-Canel também apelou à comunidade internacional para que acompanhe de perto a situação e se manifeste diante do que considera uma possível violação do direito internacional. Em sua mensagem, o presidente sugeriu que interesses restritos estariam por trás da retórica, mencionando a influência de grupos que, segundo ele, buscam retaliação e domínio sobre a ilha.
Ameaça de intervenção
A reação de Cuba ocorre após uma declaração do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que voltou a elevar o tom contra a ilha caribenha ao sugerir uma possível intervenção direta no país.
Durante um evento realizado na Flórida, Trump afirmou que Washington poderia “assumir” Cuba “quase imediatamente” após o encerramento de um eventual conflito com o Irã. Ao comentar o cenário internacional, ele indicou que pretende priorizar a guerra antes de avançar sobre outras frentes.
“Cuba tem problemas. Vamos terminar uma coisa primeiro. Gosto de concluir um trabalho”, disse, em referência ao embate com o governo iraniano.
Sanções econômicas
As declarações foram feitas no mesmo dia em que os Estados Unidos anunciaram uma nova rodada de sanções contra Havana, intensificando a pressão econômica sobre o país. Entre as medidas assinadas por Trump está um decreto que amplia restrições a bancos estrangeiros que mantêm relações com Cuba e atinge setores considerados estratégicos, como energia e mineração.
A ofensiva ocorre, em um momento em que a ilha enfrenta uma crise econômica, agravada por limitações no abastecimento de combustível. Desde o início do ano, restrições impostas por Washington ao envio de petróleo têm contribuído para dificuldades no fornecimento de energia e no funcionamento de serviços essenciais.
Como justificativa para as medidas impostas, Trump também voltou a enquadrar Cuba como uma “ameaça extraordinária” à segurança nacional americana.
O anúncio coincidiu com o Dia do Trabalhador, data em que o governo cubano mobilizou manifestações em diversas cidades, incluindo Havana, com discursos voltados à defesa da soberania nacional diante das pressões externas. O chanceler Bruno Rodríguez classificou as ações de Washington como “medidas coercitivas unilaterais ilegais e abusivas”, reiterando a posição do governo contra o que considera uma escalada de hostilidade.