Marinez Scherer destaca que menos de 1% do financiamento climático é direcionado aos oceanos
Gabriela Thier Publicado em 06/11/2025, às 14h59
A Cúpula de Líderes da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), que está ocorrendo em Belém, deu início a um forte apelo por um comprometimento mais robusto de nações e do setor privado em relação ao financiamento para a proteção dos oceanos.
Durante a abertura do evento, Marinez Scherer, Enviada Especial da presidência da COP30 para Oceanos, enfatizou a necessidade premente de direcionar investimentos significativos para este ecossistema vital. "A economia oceânica representa cerca de US$ 4 trilhões anualmente. Contudo, se continuarmos na trajetória atual, as áreas costeiras podem enfrentar uma redução de até 20% no PIB até o final do século. Este não é um desafio futuro; é uma ameaça imediata", alertou.
Scherer destacou que atualmente menos de 1% dos recursos destinados ao financiamento climático é voltado para soluções relacionadas aos oceanos, um cenário que, segundo ela, requer uma mudança urgente.
Na ocasião, a especialista fez um apelo aos líderes mundiais para que reconheçam o papel crucial dos oceanos no combate às mudanças climáticas e incentivou a sociedade global a valorizar sua importância.
A cidade de Belém foi descrita por Scherer como o ponto de encontro entre "dois gigantes": a Floresta Amazônica e o Oceano Atlântico, ambos essenciais para o equilíbrio climático do planeta. "O oceano cobre 70% da superfície terrestre e é fundamental nesse sistema climático. Ele é responsável por mais da metade do oxigênio que respiramos e absorve 90% do calor gerado pelas emissões humanas", ressaltou.
Além disso, a Enviada Especial reiterou que os oceanos são fontes de alimento, proteção e suporte econômico, além de preservarem culturas e identidades. "Ignorar esses serviços essenciais é colocar em risco nosso futuro coletivo. Seja nas áreas costeiras, nas zonas rurais ou nos centros urbanos, todos estamos interligados com o oceano. Nossa sobrevivência depende dele", concluiu Scherer.