República Democrática do Congo concentra a maior parte dos casos; escassez de profissionais e redução da cooperação internacional preocupam autoridades de saúde
Letícia Sales Publicado em 16/06/2026, às 08h48
O avanço do surto de ebola na África tem acendido o alerta de organizações internacionais de saúde. A combinação de conflitos armados, deslocamentos populacionais e redução de investimentos no setor dificulta o controle da doença, especialmente na região leste da República Democrática do Congo (RDC), onde está concentrada a maior parte das infecções.
De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a província de Ituri, no nordeste do país, responde por 93% dos casos confirmados. A região faz parte de uma área marcada pela atuação de dezenas de grupos armados e por constantes confrontos, fatores que dificultam o acesso das equipes médicas às comunidades afetadas.
Segundo a OMS, “o surto está se desenrolando em um contexto humanitário complexo e afetado por conflitos, caracterizado por populações altamente móveis e frequentemente deslocadas”. A entidade destaca ainda que a situação continua evoluindo rapidamente, exigindo respostas urgentes das autoridades de saúde.
Especialistas apontam que a redução da cooperação internacional nos últimos anos também contribuiu para o agravamento do cenário. A diminuição dos recursos destinados a programas humanitários e de saúde pública impactou diretamente a capacidade de prevenção e resposta ao vírus em países africanos.
Outro desafio é a falta de profissionais qualificados para atuar na linha de frente do combate à doença. Em comunicado, o Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças (CDC África) ressaltou que há carência de epidemiologistas, clínicos e especialistas de laboratório, considerados essenciais para conter a disseminação do ebola.
As autoridades africanas e a OMS apresentaram um plano conjunto para reforçar as ações de enfrentamento ao surto e solicitaram investimentos de US$ 517 milhões para os próximos seis meses. Entre as prioridades estão a ampliação da capacidade de diagnóstico, o fortalecimento da vigilância epidemiológica e a garantia de acesso seguro das equipes médicas às áreas mais afetadas.
Até 10 de junho, a República Democrática do Congo havia registrado 676 casos confirmados de ebola e 136 mortes. Em Uganda, foram contabilizados 19 casos e dois óbitos. Apesar do avanço da doença, autoridades de saúde informaram que ao menos 37 pacientes conseguiram se recuperar nos dois países.