MEIO AMBIENTE

Colômbia decide sacrificar hipopótamos de Escobar para conter crise ambiental

População descontrolada de animais introduzidos pelo narcotraficante ameaça ecossistemas, segurança e biodiversidade no país.

Hipopótamos na Colômbia: população originada de animais de Pablo Escobar cresce sem controle e ameaça ecossistemas locais. - Imagem: Nathan Danks / Shutterstock.com

Redação Publicado em 14/04/2026, às 09h53

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A herança exótica deixada pelo traficante Pablo Escobar nos anos 1980 transformou-se em um problema ambiental de grandes proporções na Colômbia. O governo colombiano anunciou que irá sacrificar ao menos 80 hipopótamos que vivem em estado selvagem, como parte de um plano para conter o crescimento acelerado da espécie.

Os animais descendem de quatro exemplares trazidos por Escobar para sua fazenda particular, a Hacienda Nápoles. Após a morte do traficante, em 1993, os hipopótamos foram abandonados e passaram a se reproduzir livremente, sem predadores naturais.

Hoje, estima-se que existam cerca de 200 indivíduos espalhados principalmente pela bacia do rio Magdalena — número que pode ultrapassar mil nas próximas décadas, caso nenhuma medida seja adotada.


AMEAÇA AMBIENTAL E RISCO HUMANO

Segundo autoridades ambientais, os hipopótamos foram classificados como espécie invasora desde 2022. O crescimento descontrolado tem causado impactos diretos na biodiversidade local.

Os animais consomem grandes quantidades de vegetação, alteram o equilíbrio dos rios e contaminam a água com seus dejetos, afetando espécies nativas como peixes-boi e tartarugas.

Além disso, o hipopótamo é considerado um dos animais mais agressivos do mundo, representando risco real para comunidades ribeirinhas, pescadores e moradores da região.


PLANO DO GOVERNO

A estratégia do governo inclui duas frentes: a transferência de parte dos animais para zoológicos e santuários no exterior e a eutanásia controlada.

No entanto, a falta de países interessados em receber os hipopótamos — somada aos altos custos de transporte e à baixa diversidade genética da população — levou as autoridades a priorizarem o sacrifício como medida imediata.

Cada procedimento de eutanásia pode custar cerca de R$ 70 mil, e será realizado seguindo protocolos técnicos para garantir segurança e minimizar o sofrimento dos animais.


CRÍTICAS E DEBATE ÉTICO

A decisão, no entanto, gerou forte reação de ativistas e defensores dos direitos dos animais. Críticos classificam a medida como “cruel” e defendem alternativas como esterilização e manejo controlado.

Especialistas ambientais, por outro lado, argumentam que a intervenção é necessária diante do risco crescente ao equilíbrio ecológico e à segurança humana.


UM PROBLEMA SEM PRECEDENTES

A manada colombiana é considerada a única população de hipopótamos vivendo em estado selvagem fora da África. A ausência de predadores naturais e a abundância de recursos favoreceram a rápida expansão da espécie.

O caso se tornou um exemplo global de como a introdução de espécies exóticas pode gerar consequências ambientais duradouras e difíceis de reverter.

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