Um estudo científico identificou mudanças no núcleo interno da Terra nas últimas décadas, indicando uma desaceleração em seu movimento e possíveis impactos sutis no funcionamento do planeta
William Oliveira Publicado em 16/03/2026, às 11h11
O núcleo interno da Terra pode estar passando por uma mudança significativa em seu movimento. Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Pequim indica que essa parte central do planeta desacelerou nas últimas décadas e pode até ter iniciado uma inversão em sua rotação em relação à superfície terrestre.
A pesquisa foi publicada na revista científica Nature Geoscience e analisou ondas sísmicas de terremotos registrados entre 1990 e 2021. A partir desses dados, os cientistas conseguiram investigar o comportamento do núcleo interno — uma esfera sólida formada principalmente por ferro e níquel localizada a mais de 5 mil quilômetros abaixo da superfície.
De acordo com os pesquisadores, o núcleo interno funciona como um “planeta dentro do planeta”. Ele está suspenso no núcleo externo líquido e seu movimento é considerado essencial para compreender os processos que ocorrem nas camadas mais profundas da Terra.
Os dados indicam que, até aproximadamente 2009, o núcleo girava um pouco mais rápido do que a crosta terrestre. No entanto, a partir desse período, os registros apontaram uma desaceleração significativa, sugerindo que o movimento pode estar entrando em uma fase de inversão.
Segundo os cientistas, essa mudança pode fazer parte de um ciclo natural. Estudos apontam que fenômenos semelhantes podem ocorrer em intervalos de cerca de 60 a 70 anos. Há indícios de que um comportamento parecido tenha ocorrido na década de 1970.
Especialistas explicam que esse movimento seria resultado de um equilíbrio de forças no interior do planeta. Enquanto o campo magnético da Terra tende a impulsionar o núcleo, a gravidade exercida pelo manto funciona como uma espécie de freio, gerando essa oscilação.
Embora o fenômeno aconteça a milhares de quilômetros de profundidade, alguns efeitos podem chegar à superfície de forma extremamente sutil. Entre eles estão pequenas variações na duração dos dias, que podem mudar em frações de milissegundos.
Além disso, mudanças no comportamento do núcleo podem influenciar o campo magnético da Terra, responsável por proteger o planeta contra a radiação solar. Pesquisadores também investigam possíveis relações com o nível do mar e as temperaturas globais, embora essas conexões ainda não estejam totalmente comprovadas.
Apesar da descoberta, cientistas afirmam que não há motivo para preocupação. Esse tipo de mudança faz parte da dinâmica natural do planeta e ocorre de forma muito lenta, sendo imperceptível para a população.