Mesmo após o resultado preliminar apontar vitória apertada da direita, Iván Cepeda se recusa a reconhecer oficialmente a derrota e aposta no escrutínio eleitoral para revisar milhares de mesas de votação em uma das eleições mais disputadas da história recente do país.
Ana Beatriz Publicado em 22/06/2026, às 10h56
A disputa pela Presidência da Colômbia ganhou um novo capítulo após o candidato de esquerda Iván Cepeda anunciar a contestação de aproximadamente 33 mil mesas eleitorais, adiando o reconhecimento formal da derrota para o candidato conservador Abelardo de la Espriella.
O resultado preliminar divulgado pela Registradoria Nacional apontou uma vitória extremamente apertada de De la Espriella, que obteve cerca de 49,66% dos votos válidos, contra 48,70% de Cepeda. A diferença entre os dois candidatos ficou abaixo de 1% do eleitorado, representando pouco mais de 245 mil votos em um universo de milhões de eleitores.
Diante da margem reduzida, Cepeda afirmou que o resultado divulgado na noite da eleição corresponde apenas ao preconteo, sistema preliminar utilizado para informar rapidamente a população sobre a tendência do resultado, mas que não possui caráter oficial ou vinculante. Segundo ele, a definição definitiva da eleição dependerá do escrutínio eleitoral, etapa formal de conferência dos votos realizada pelas autoridades colombianas.
A campanha do candidato de esquerda informou que irá impugnar cerca de 33 mil mesas de votação, alegando possíveis inconsistências e irregularidades que precisariam ser analisadas durante o processo de apuração oficial. O número representa aproximadamente 27% das mesas eleitorais do país. Apesar disso, especialistas ouvidos pela imprensa colombiana avaliam que a reversão do resultado é considerada difícil devido ao tamanho da vantagem registrada pelo adversário.
Como funciona o escrutínio na Colômbia
Diferentemente do preconteo, que tem caráter apenas informativo, o escrutínio é o procedimento oficial utilizado para validar cada voto registrado nas urnas. Durante essa etapa, as atas eleitorais são revisadas, conferidas e comparadas com os documentos oficiais produzidos pelos mesários.
O sistema colombiano é predominantemente manual e conta com múltiplos mecanismos de controle, incluindo a participação de testemunhas eleitorais, fiscais partidários e observadores nacionais e internacionais. O objetivo é garantir a rastreabilidade dos votos e a legitimidade do resultado final.
Segundo observadores eleitorais, a diferença histórica entre o preconteo e o escrutínio costuma ser mínima. Em processos anteriores, a coincidência entre os dois sistemas superou 99,9%, o que reduz significativamente a possibilidade de mudanças expressivas no resultado final.
País dividido
A eleição presidencial de 2026 já é considerada uma das mais polarizadas da história recente da Colômbia. A disputa colocou frente a frente dois projetos políticos opostos: a esquerda representada por Iván Cepeda e a direita liderada por Abelardo de la Espriella.
O resultado apertado reflete a divisão do eleitorado colombiano e indica que o próximo governo deverá enfrentar um cenário de forte oposição política e intensa disputa institucional. Enquanto lideranças conservadoras já celebram a vitória de De la Espriella, setores ligados ao presidente Gustavo Petro defendem aguardar a conclusão do escrutínio antes de considerar a eleição encerrada.
A expectativa agora se concentra nas próximas etapas da apuração oficial. Embora a tendência continue favorável ao candidato conservador, a contestação apresentada por Cepeda prolonga a tensão política e mantém o país atento aos desdobramentos de uma eleição que ainda não teve seu resultado oficialmente homologado.