Material radioativo sumiu de instituto médico em Rosário; órgão regulador afirma que risco imediato é baixo, mas orienta população a não manipular o objeto
Julio Cezar Souza Publicado em 19/06/2026, às 09h24
Autoridades argentinas investigam o desaparecimento de uma cápsula contendo Césio 137 em um instituto médico localizado em Rosário, na província de Santa Fé. O caso foi identificado na terça-feira (16) e levou à emissão de um alerta nacional devido ao caráter radioativo do material.
Segundo a denúncia apresentada às forças de segurança, a fonte radioativa estava armazenada em uma instalação na região central da cidade. O material permanecia dentro de um recipiente blindado de chumbo, desenvolvido para impedir a liberação de radiação ao ambiente.
A Autoridade Regulatória Nuclear da Argentina (ARN) informou que a cápsula era utilizada para a calibração de equipamentos de medicina nuclear e reforçou que o risco radiológico é considerado muito baixo enquanto o material permanecer protegido.
“Caso a encontre, não a toque nem a manipule”, orientou a ARN em comunicado.
O desaparecimento foi percebido quando técnicos tentaram acessar a cápsula para realizar procedimentos de calibração em um equipamento médico. Ao chegarem ao local onde o material deveria estar guardado, constataram que o objeto havia desaparecido.
A última utilização registrada da fonte ocorreu alguns dias antes da descoberta do sumiço.
De acordo com a ARN, o material consiste em um gel contendo Césio 137, armazenado em um recipiente plástico transparente e protegido por uma blindagem de chumbo. Após ser informada sobre o caso, a agência acionou o Sistema de Intervenção em Emergências Radiológicas (SIER) e comunicou órgãos federais responsáveis pela segurança nuclear.
As investigações buscam identificar quando ocorreu o desaparecimento e quem teve acesso ao local. Segundo informações divulgadas pela imprensa argentina, apenas quatro pessoas tinham autorização para entrar na área onde a cápsula estava armazenada.
Os investigadores analisam registros internos, movimentações no laboratório e possíveis imagens de câmeras de segurança para reconstruir os acontecimentos.
Uma das hipóteses consideradas é a existência de falhas nos controles internos do instituto. Também é investigada a possibilidade de retirada indevida do equipamento por alguém autorizado a acessar o espaço.
O Césio 137 é um material radioativo utilizado em aplicações médicas, científicas e industriais. A substância emite radiação beta e gama e exige protocolos rigorosos de armazenamento, transporte e manuseio.
Especialistas afirmam que o maior risco ocorre caso a cápsula seja aberta ou danificada, permitindo contato direto com o material radioativo. Por isso, as autoridades reforçam que qualquer pessoa que encontre um objeto semelhante ao descrito deve comunicar imediatamente os órgãos responsáveis e evitar qualquer tentativa de transporte ou abertura.