Entre as vítimas estão campeões mundiais de patinação artística, destacando a tragédia que abalou o esporte e a sociedade
Marina Milani Publicado em 31/01/2025, às 10h30
Na noite de quarta-feira (29), um grave acidente aéreo ocorreu sobre o rio Potomac, envolvendo um avião civil e um helicóptero do Exército dos Estados Unidos. O trágico evento resultou na morte de 64 pessoas que estavam a bordo da aeronave comercial, além de três militares que integravam a equipe do helicóptero.
Este incidente se destaca como a mais severa catástrofe aérea nos Estados Unidos desde a queda de um avião da American Airlines, ocorrida em novembro de 2001 logo após a decolagem do aeroporto John F. Kennedy, em Nova York. As caixas-pretas do avião civil foram recuperadas e estão sob análise da Junta Nacional de Segurança no Transporte (NTSB), que é responsável pela investigação do ocorrido, conforme relataram fontes anônimas às emissoras CBS News e ABC News.
A operação de resgate no local foi marcada por mergulhadores que retiraram corpos das águas geladas do Potomac. Com os destroços das aeronaves emergindo na superfície, equipes de resgate e mergulhadores estão empenhados em vasculhar a área afetada. Até a noite da quinta-feira, mais de 40 corpos foram recuperados, segundo informações da imprensa americana.
A Administração Federal de Aviação (FAA) confirmou que o avião envolvido era um Bombardier, operado por uma subsidiária da American Airlines. De acordo com a companhia aérea, a aeronave realizava um voo entre Wichita, Kansas, e o aeroporto Ronald Reagan, em Washington D.C. O helicóptero militar estava realizando um "voo de treinamento", segundo informações divulgadas por um porta-voz do Exército.
O secretário da Defesa, Pete Hewseth, destacou que o helicóptero Black Hawk contava com uma tripulação experiente e estava em processo de avaliação noturna obrigatória, utilizando óculos de visão noturna durante as manobras. Em gravações do tráfego aéreo, é possível ouvir controladores solicitando à equipe do helicóptero se tinham visibilidade do avião civil e instruindo-os a manter distância pouco antes da colisão.
"Acabei de ver uma bola de fogo e depois desapareceu", relatou um controlador após a interrupção da comunicação com o helicóptero. Especialistas afirmam que com a temperatura das águas em torno de 2 °C, as chances de sobrevivência eram extremamente baixas.
Entre as vítimas estavam os patinadores artísticos russos Evgenia Shishkova e Vadim Naumov, campeões mundiais em 1994, além de outras personalidades do universo da patinação. Ari Schulman, uma testemunha ocular que presenciou o acidente enquanto dirigia para casa, descreveu ter visto "um jato de faíscas" semelhante a fogos de artifício durante a colisão.
"A princípio, vi o avião e parecia estar normal, prestes a aterrissar", relatou à CNN. "Então, três segundos depois, ele se inclinou completamente para a direita [...] Pude ver sua parte inferior iluminada por um brilho amarelo intenso e um jato de faíscas abaixo dele", acrescentou Schulman.