A equipe jurídica da Flotilha Global Sumud denuncia a falta de aviso prévio nas audiências judiciais
Gabriela Thier Publicado em 04/10/2025, às 19h21
O Ministério das Relações Exteriores de Israel anunciou que 137 ativistas do movimento pró-palestino, conhecidos como parte da Flotilha Global Sumud, foram deportados para a Turquia. A confirmação veio por parte do governo turco neste sábado (4), após a interceptação de várias embarcações que tentavam chegar à Faixa de Gaza na quarta-feira anterior.
Os ativistas foram transportados em um voo que partiu do Aeroporto Ramon, localizado em Eilat, Israel, e aterrissou em Istambul por volta das 12h40 (horário local). Entre os deportados estão cidadãos de diversas nacionalidades, os quais foram recebidos pelas autoridades turcas ao chegarem.
O ministro turco das Relações Exteriores, Hakan Fidan, expressou sua acolhida aos ativistas, elogiando sua coragem e determinação. Fidan também solicitou a libertação dos demais ativistas que ainda se encontram sob custódia em Israel, destacando a bravura deles ao se posicionarem contra a opressão e lutarem por justiça e direitos humanos.
"Hoje, mais 137 membros da flotilha Hamas-Sumud foram deportados para a Turquia", informou o Ministério israelense em uma postagem nas redes sociais. O comunicado enfatizou a intenção de Israel em acelerar a expulsão de todos os considerados "provocadores", mencionando que alguns dos deportados estavam supostamente dificultando o processo legal de expulsão.
Conforme relatado pelas autoridades de ambos os países, os deportados incluíam cidadãos de nações como Estados Unidos, Itália, Reino Unido, Suíça, Jordânia, Emirados Árabes Unidos, Argélia, Marrocos, Kuwait, Líbia, Malásia, Mauritânia, Turquia e Tunísia.
No entanto, ainda não há informações sobre os quatro ativistas portugueses detidos durante a operação de interceptação da flotilha. O Ministério das Relações Exteriores de Portugal declarou à agência Lusa que não possui previsões sobre o retorno dos portugueses Mariana Mortágua, Sofia Aparício, Miguel Duarte e Diogo Chaves.
A deputada Catarina Martins, candidata à presidência pelo Bloco de Esquerda, informou que a embaixadora portuguesa não teve autorização para visitar os detidos devido ao Shabat — o dia sagrado de descanso para os judeus. Ela considerou essa justificativa inaceitável e lamentou a ausência de uma data definida para o retorno dos compatriotas.
Em outra frente, a equipe jurídica da Flotilha Global Sumud confirmou que se reuniu com 80 dos mais de 400 ativistas detidos antes das audiências judiciais. O grupo alegou que cerca de 200 audiências ocorreram entre quinta e sexta-feira sem aviso prévio aos advogados envolvidos, resultando na ausência da ONG Adalah — responsável pela defesa dos detidos — durante esses procedimentos legais.
De acordo com informações da ONG citada, as audiências ainda estão em andamento e os advogados estão presentes na prisão localizada em Ktziot, onde muitos membros da flotilha permanecem encarcerados.
O Ministério das Relações Exteriores israelense assegurou que todos os ativistas estão "seguros e com boa saúde" e expressou esperança de concluir as deportações rapidamente.
A interceptação da Flotilha Global Sumud ocorreu enquanto as embarcações se aproximavam da costa da Faixa de Gaza. As autoridades israelenses argumentam que o movimento é apoiado pelo Hamas. Na quarta-feira (1º), as forças navais israelenses detiveram centenas de ativistas à bordo dos barcos e estes aguardavam deportação.
A Turquia programou um voo especial para repatriar 36 cidadãos turcos neste sábado. Além disso, na sexta-feira anterior (3), Israel já havia expulso quatro ativistas italianos. A flotilha partiu no mês passado com uma delegação composta por políticos e ativistas engajados na causa palestina.
A Marinha israelense iniciou a interceptação das embarcações na quarta-feira e relatou que mais de 400 pessoas estavam impedidas de alcançar o território palestino.