Governo de Javier Milei dá prazo de 48 horas para saída de diplomata iraniano e endurece posição após acusações de ingerência
Redação Publicado em 02/04/2026, às 14h42
O governo da Argentina elevou o tom na crise diplomática com o Irã ao determinar a expulsão do principal representante iraniano no país. O encarregado de negócios Mohsen Soltani Tehrani foi declarado “persona non grata” e terá 48 horas para deixar o território argentino.
A decisão partiu da gestão do presidente Javier Milei, que classificou como “inaceitável ingerência” um comunicado recente do governo iraniano, considerado ofensivo e inadequado pelas autoridades locais. A medida marca mais um capítulo na escalada de tensões entre os dois países.
O diplomata iraniano ocupava o cargo desde 2021, ainda durante o governo de Alberto Fernández. A expulsão ocorre em meio a um cenário de alinhamento mais claro da Argentina com potências ocidentais, especialmente após declarações recentes de Milei em apoio a ações dos Estados Unidos e de Israel contra o regime iraniano.
A crise se intensificou após a Argentina classificar a Guarda Revolucionária Islâmica como organização terrorista, decisão que provocou forte reação de Teerã. O governo iraniano acusou Milei de ultrapassar uma “linha vermelha imperdoável” e alertou para consequências nas relações bilaterais.
Outro fator que agrava o cenário é o histórico do atentado à Associação Mutual Israelita Argentina (AMIA), ocorrido em 1994. O governo argentino voltou a cobrar cooperação do Irã nas investigações do ataque, apontando resistência em atender pedidos internacionais de prisão e extradição de suspeitos.
Internamente, a medida reforça o discurso de Milei de enfrentamento ao terrorismo e de reposicionamento geopolítico da Argentina. No entanto, especialistas avaliam que a decisão pode ampliar o isolamento diplomático com países do Oriente Médio e trazer impactos econômicos e políticos no curto prazo.