Faixa de Gaza

Ameaças de Trump "complicam" situação em Gaza, afirma Hamas

Dirigente do Hamas, Sami Abu Zuhri, expressa preocupação com as ameaças de Donald Trump, que podem agravar a situação em Gaza

Desde janeiro, um frágil cessar-fogo entre Israel e Hamas tem permitido a troca de reféns, mas tensões aumentam com novas declarações. - Imagem: Reprodução | X - @palestinechronicle

Marina Milani Publicado em 11/02/2025, às 17h35

O dirigente do Hamas, Sami Abu Zuhri, expressou preocupação com as recentes declarações do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que ameaçou provocar um "inferno" em Gaza caso os reféns não fossem liberados até o próximo sábado, dia 15. Em entrevista à AFP nesta terça-feira (11), Abu Zuhri ressaltou que tais ameaças apenas complicam a situação já tensa na região.

O líder do movimento islamista palestino lembrou que existe um acordo de trégua que deve ser respeitado por ambas as partes envolvidas. "A única maneira de garantir o retorno dos prisioneiros é através do respeito a esse acordo", afirmou. Abu Zuhri também criticou a abordagem ameaçadora, enfatizando que ela não contribui para uma resolução pacífica e, ao contrário, só agrava a situação.

Desde o dia 19 de janeiro, um frágil cessar-fogo tem sido mantido entre Israel e o Hamas após um período prolongado de conflitos que devastaram a Faixa de Gaza. Este acordo foi mediado pelo Catar com o apoio dos Estados Unidos e do Egito. Até o momento, a trégua possibilitou a libertação de 21 reféns israelenses, incluindo 16 sequestrados em um ataque surpresa do Hamas em 7 de outubro de 2023. Essa troca ocorreu em decorrência da liberação de mais de 700 prisioneiros palestinos detidos por Israel.

Conforme estipulado no acordo inicial, 33 reféns israelenses devem ser libertados na primeira fase da trégua, cuja conclusão está prevista para 1º de março. Contudo, na segunda-feira, o Hamas anunciou um adiamento na próxima liberação de reféns, programada para sábado (15), alegando violações por parte de Israel das condições acordadas.

Israel reagiu a essa decisão chamando-a de "violação flagrante" do acordo. O Hamas, por sua vez, deixou claro que ainda está disposto a negociar a libertação dos reféns israelenses em troca dos prisioneiros palestinos, contanto que Israel cumpra com suas obrigações no acordo estabelecido.

A declaração de Trump na segunda-feira deixou claro seu posicionamento sobre o assunto: "Se todos os reféns não forem devolvidos antes de sábado às 12 horas em ponto -- uma hora apropriada -- eu diria para cancelá-los; não se admitem mais apostas e que se desate o inferno", afirmou durante coletiva na Casa Branca.

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