O relatório, baseado em dados de serviços meteorológicos, reflete a urgência da ação contra a mudança climática global
Gabriela Thier Publicado em 19/03/2025, às 15h38
A Organização Meteorológica Mundial (OMM), que faz parte da estrutura da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgou recentemente dados sobre as temperaturas globais, apontando 2024 como o ano mais quente já registrado nos últimos 175 anos. As medições indicam que as temperaturas médias superaram em até 1,5 °C os níveis pré-industriais, que se referem ao intervalo entre 1850 e 1900.
O estudo realizado pela OMM revela uma tendência crescente nas temperaturas globais, com variações que oscilam entre 1,34 °C e 1,41 °C acima da média histórica. Celeste Saulo, secretária-geral da OMM, enfatizou que esse aumento significativo nas temperaturas não é apenas preocupante, mas representa uma ameaça real à vida humana, às economias e ao meio ambiente em escala global.
A elevação das temperaturas é atribuída principalmente ao aumento das emissões de gases de efeito estufa e à interação entre os fenômenos climáticos conhecidos como La Niña e El Niño. O relatório ainda destaca que as concentrações atmosféricas de dióxido de carbono, metano e óxido nitroso alcançaram patamares históricos. Adicionalmente, observa-se um aquecimento progressivo dos oceanos e um contínuo aumento do nível do mar. Nos últimos três anos, as medições também indicaram a redução das áreas de gelo na Antártica e a significativa perda de massa glacial. No Ártico, a cobertura de gelo atingiu os menores níveis em quase duas décadas.
Eventos climáticos extremos têm contribuído para agravar crises alimentares em pelo menos 18 países ao redor do planeta. António Guterres, secretário-geral da ONU, afirmou que ainda existe a oportunidade de mitigar o aumento da temperatura global, desde que líderes mundiais tomem decisões efetivas e implementem ações necessárias para enfrentar essa crise.
O relatório foi desenvolvido a partir de dados coletados por serviços meteorológicos e hidrológicos nacionais, além de colaborações com diversos parceiros da ONU, refletindo a gravidade e urgência da situação climática atual.