Marcelo Emerson Publicado em 07/05/2026, às 09h05
Tem show que você assiste. E tem show que captura sua mente. O do Within Temptation no Bangers Open Air 2026 ficou, sem dúvida, na segunda categoria.
Logo de cara, o impacto é inevitável: Sharon den Adel domina o palco com uma presença exuberante. Voz limpa, potente, emocional, atravessando a mixagem e conquistando de pronto corações e mentes dos fãs.
O protagonismo dela é evidente, mas não há sensação de “banda de apoio”. Muito pelo contrário. Os músicos têm espaço, presença e peso real na construção do espetáculo. Isso faz toda diferença. O show se desenvolve como uma unidade.
Vale mencionar aqui o baixista Jeroen Van Veen. O cara dá um show! Não me levem a mal. Sharon é a estrela natural da banda. Os guitarristas têm suas plataformas de metal bem à frente do palco. Bateria e teclado se projetam fisicamente no palco, mas o baixista muitas vezes é colocado em segundo plano, o que é injusto com o ótimo músico holandês.
Alguns destaques. Primeiro, a entrada dramática da vocalista com sua tradicional máscara em “We go to war” emocionou os fãs. O segundo destaque é o set list especial. A banda incluiu as músicas “The Howling”, The Heart of Everything” e “Forsaken”. Em cada uma delas, a banda conduziu os fãs por jornadas musicais quase hipnotizantes. “Forsaken” transcendeu a coisa toda. Um terceiro ponto alto é “Bleed Out”, faixa-título do álbum mais recente.
Com luzes vermelhas no palco, a vocalista interpreta dramaticamente a dor de gritar contra a injustiça sofrida pela jovem Mahsa Amini, que foi presa pela polícia dos costumes do Irã só porque deixou a mecha do cabelo à mostra e seu corpo foi entregue à família dias depois, com evidências de espancamento que deram o fim fatal à moça. Peso, tensão e um público completamente capturado desde o início.
“Paradise (What About Us?)” ganhou uma dimensão ainda maior ao vivo, com uma resposta forte da plateia, com a projeção de voz e imagem da Tarja Turunen, que faz dueto com Sharon na gravação original. O clássico “Mother Earth” fechou tudo como um hino. Não era só música ali, era conexão coletiva.
Para concluir, talvez o grande mérito da apresentação seja que o Within Temptation não depende de truque, nem de hype. É entrega. É consistência. É uma banda que sabe exatamente onde pisa, e pisa firme.
No fim, ficou aquela sensação boa de quem viu algo sólido. Sem exagero, sem firula. Só música bem-feita, executada com precisão, alma e com algo relevante a dizer. E, na visão deste colunista, é só isso que precisa ser.