Marcelo Emerson Publicado em 29/05/2025, às 10h16
Já imaginou um show de metal sinfônico com lendas do gênero, orquestra ao vivo e ainda um projeto social transformador vindo do interior paulista? Pois essa mistura épica vai acontecer em São Paulo, no dia 5 de julho, no palco do Tokio Marine Hall. O vocalista Edu Falaschi traz de volta aos palcos a sua consagrada turnê Temple of Shadows in Concert, e dessa vez com convidados que elevam o espetáculo a outro nível.
Entre os destaques está ninguém menos que Kai Hansen — fundador das icônicas bandas Helloween e Gamma Ray — que vem diretamente da Alemanha para dividir os vocais da clássica “Temple of Hate” com Falaschi. E não para por aí: Roy Khan, ex-vocalista do Kamelot, também marcará presença para relembrar os tempos áureos do álbum The Black Halo. Mas o brilho da noite não será exclusividade dos nomes consagrados do metal internacional.
Quem também vai tomar conta do palco — e dos corações — é a Orquestra Sinfônica Jovem de Artur Nogueira (OSJAN), regida pelo maestro Ricardo Michelino. Formada por cerca de 64 músicos entre 10 e 70 anos, todos envolvidos em um poderoso projeto de inclusão social através da música, a OSJAN é um verdadeiro tesouro do interior paulista. Oriunda do Projeto Retreta, a orquestra mostra como o acesso à arte pode mudar vidas — e o mais incrível é ver essa transformação reverberando em um palco onde guitarras distorcidas encontram violinos emocionantes.
Edu Falaschi e o Maestro Ricardo Michelino conversaram com este colunista para dar detalhes de todo o projeto.
Sobre a presença de Kai Hansen, Falaschi nos esclareceu o seguinte: “Muita gente não viu aquele show [show da primeira turnê que celebrou o álbum mencionado e que já havia contado com o músico alemão]. Tinha 4 mil pessoas naquele dia. A gente gravou e virou um DVD, mas ao vivo a maioria não viu. Então, eu trouxe esse resgate. O Kai Hansen ao vivo. O cara é uma lenda, ele praticamente inventou o [heavy metal] que a gente faz. Ele gravou [sua voz] no disco original, Temple of Shadows. Vai ser um mega show, uma megaprodução, então eu achei legal ter ele de novo para dar essa oportunidade para quem não viu”.
Detalhe que Hansen vem direto de seu país natal, onde está bastante ocupado com a produção do novo disco de sua banda, Helloween. Isso não passou despercebido para Edu Falaschi: “Ele é um grande amigo, são muitos anos de amizade, ele é ‘parceiraço’, sempre que eu preciso ele está disponível”.
A fusão entre o peso do power metal e a sensibilidade da música orquestral já é conhecida pelos fãs da turnê Temple of Shadows, mas a cada nova apresentação o espetáculo ganha novos contornos. A participação da OSJAN traz um brilho especial, não apenas pela qualidade técnica dos músicos, mas pela história de superação e esperança que carregam. Gente que veio da periferia, de contextos sociais desafiadores, e encontrou na música uma ferramenta poderosa de crescimento, cidadania e futuro.
Conversando com o Ricardo Michelino, perguntei sobre a relação de uma orquestra com uma banda de heavy metal e como é trabalhar com o Edu Falaschi. O Maestro me deu a seguinte resposta:
“Em primeiro lugar quero dizer que é um privilégio danado, num país tão grande quanto o nosso, o nosso grupo ter sido escolhido para participar de um momento tão importante na carreira do Edu, e um momento de tão alto nível musical. A pré-produção durou um ano e meio, com a revisitação de todos os arranjos da obra, com arranjos novos. O Edu está o tempo todo participando de tudo, avaliando, opinando e participando muito de perto. E, sim, isso mostra a grandiosidade do artista, de ter a generosidade de escolher um grupo do interior de São Paulo dentre tantos grupos que temos no país, que é fruto de um projeto sócio-musical que atende cerca de 3 mil alunos, dentro de um Município que tem 52 mil habitantes”.
Com passagens por teatros históricos como o Municipal de São Paulo, Castro Mendes em Campinas e o Theatro São Pedro, a OSJAN vem ganhando destaque no cenário cultural e mostrando que o talento não conhece CEP. Aliás, talento é o que não falta nesse encontro que promete ser histórico.
E para quem ainda está pensando em garantir ingresso: a procura está intensa e promete casa cheia. Vai ser uma daquelas noites que a gente lembra por anos — com música de arrepiar, encontros improváveis e o tipo de energia que só um show que une paixão, técnica e propósito pode oferecer.
Porque no fim, o que une tudo isso é mais do que música. É a força que ela tem de transformar, conectar e emocionar. E no dia 5 de julho, tudo isso vai estar ali, pulsando ao vivo, bem no coração de São Paulo.
Fizemos um show em Nova Friburgo, num festival. E agora a gente vai seguir com a turnê que, basicamente, começa agora no dia 6 de junho, em Poços de Caldas, no tradicional Palace, no qual já vai ter a presença da Orquestra Sinfônica Jovem de Arthur Nogueira (SP), regida pelo Maestro Ricardo Michelino, que está aqui com a gente.