Mara Machado Publicado em 05/02/2025, às 09h00
Pelo menos 32 milhões de pessoas vivem sem acesso à água potável e, quase o triplo, em torno de 90 milhões estão sem acesso à coleta de esgoto adequada no Brasil. O quadro alarmante foi recentemente divulgado pelo Ranking do Saneamento 2024, elaborado pelo Instituto Trata Brasil, e traz desdobramentos graves.
O impacto não se restringe a quase metade da população brasileira, o que já seria muito grave. O saneamento básico representa um determinante social altamente relevante na complexa combinação de fatores que influencia a dinâmica da saúde, com implicação na qualidade de vida dos indivíduos e no sucesso de políticas públicas de saúde.
É preciso compreender a correlação entre determinantes sociais e resultados da saúde para avançar de maneira mais efetiva na equidade em todo o ecossistema da saúde.
Diversos fatores contribuem para a falta de acesso à rede de esgoto em muitas regiões do Brasil. Questões socioeconômicas, urbanização desordenada, falta de infraestrutura adequada e desigualdade econômica são alguns dos principais elementos que perpetuam a falta de acesso à rede de esgoto no país.
Em associação a outros riscos, como a subnutrição e problemas de higiene, a falta de saneamento facilita a propagação de doenças, sobretudo entre aqueles que apresentam uma saúde mais fragilizada.
Para se ter uma ideia, a diarreia causa, anualmente, em todo o mundo, a morte de 361 mil crianças com menos de 5 anos (OMS).
Em 2023, dados do IBGE mostram que 31,9% dos municípios brasileiros ainda utilizam lixões como unidade de disposição final de resíduos sólidos.
Ausência de saneamento sobrecarrega a saúde pública e eleva os gastos do sistema, em função de atendimentos médicos e internações, especialmente no caso de crianças, de adultos com saúde frágil e de idosos. Não é nada surpreendente, que o trabalhador que vive em regiões com ampla cobertura sanitária produza mais e receba salários maiores.
O saneamento urbano brasileiro é marcado pela insuficiência em investimentos, gestão e prestação do serviço como um todo.
Ainda que o Novo Marco do Saneamento seja a medida mais eficaz para que o acesso à água potável e ao esgoto tratado sejam uma realidade para todos, é preciso viabilizar investimentos às companhias de saneamento, municípios e iniciativas privadas.
O que está claro hoje é que os perigos que nossa espécie enfrenta exigirão ações coletivas urgente em níveis locais e global. A cooperação será indispensável para nossa sobrevivência, o que reforça a necessidade de reverter a crescente de competições e conflitos, de guerras e nacionalismo exacerbado.