Empresário e apresentador foi assessorado pelo corretor de confiança, Marcelo Gurgel
Jair Viana Publicado em 20/11/2025, às 10h29
O empresário e apresentador Roberto Justus caiu em um golpe milionário ao confiar em seu corretor, Marcelo Gurgel, e no empresário Júlio Albieri. Justus pagou R$ 50 milhões por uma das mansões mais caras de São Paulo. O imóvel integra a massa falida da mineradora Buritirama, cujo processo bilionário foi decretado pela Justiça de São Paulo em julho de 2023. A situação coloca em xeque a transação realizada recentemente entre Albieri e o apresentador. Justus afirmou à reportagem que acredita ter feito um bom negócio e que está seguro da compra.
A negociação foi concluída há cerca de três meses. Procurado, o corretor Marcelo Gurgel — homem de confiança de Justus — evitou responder às tentativas de contato da reportagem. “Me procura ano que vem, falamos”, disse, em tom de deboche.
Justus declarou que seus advogados realizaram todos os levantamentos sobre a situação jurídica do imóvel. Já Júlio Albieri garantiu que o negócio está regular, alegando ter arrematado a casa em um leilão público e a revendido, após mais de dois anos, ao apresentador. Ele afirma não ter solicitado a posse antes porque ainda enfrentava disputas judiciais. A imissão na posse só foi pedida nos últimos meses de 2025.
A reportagem apurou que a casa pertencia à empresa Skypar Patrimonial. Albieri não cumpriu um acordo firmado com o empresário João Araújo, que acabou sendo prejudicado. Mesmo sem ter pago contas de água, luz, funcionários ou qualquer despesa desde 2023, Albieri vendeu o imóvel a Justus.
Contradições de Albieri
Mensagens trocadas entre João Araújo, Júlio Albieri e o corretor Marcelo Gurgel mostram que Albieri e Araújo tinham um acordo prévio sobre a mansão, registrada em nome da Skypar. Em um áudio, Albieri informa Araújo sobre dados financeiros do financiamento. Além disso, todas as contas relacionadas ao imóvel estavam mantidas no nome da Skypar.
Araújo confirmou o acordo e afirmou que Albieri não cumpriu o combinado:
“Os direitos da casa são meus e deveriam estar arrolados na falência da Buritirama”.
Nas conversas, Albieri prestava contas a Araújo sobre o imóvel, enviando valores a serem pagos ao banco. Em 3 de julho de 2024, por exemplo, Albieri cobrou quantias de R$ 6.184.000,00, R$ 6.286.000,00 e R$ 389.000,00. No dia 18 do mesmo mês, encaminhou uma minuta de contrato referente à administração da mansão.
A mansão, é patrimônio vinculado à massa falida da Buritirama. Se for confirmada a ilegalidade da transação, o imóvel será reintegrado ao processo de falência, gerando um prejuízo de aproximadamente R$ 50 milhões a Roberto Justus.
Documentos acessados pela reportagem indicam que o imóvel foi transferido a Albieri antes do decreto de falência. Ele negociou a mansão sem autorização do real proprietário, que quitava as parcelas do financiamento e possui os comprovantes de propriedade. Diante da irregularidade, o bem pode retornar ao antigo dono e ser incluído oficialmente na falência.
Corretor de Justus negociou com Araújo
O corretor Marcelo Gurgel chegou a enviar mensagens ao proprietário da Buritirama, João Araújo, pedindo autorização para vender a mansão. Ele quis saber se Araújo estaria disposto a negociá-la em 2025.
Problema com terreno
Em 2021, segundo Veja, Justus comprou um terreno de R$ 1,5 milhão, no Butantã. Ele fez o negócio diretamente com os proprietários, mas não sabia que existiam mais de dez herdeiros. Até hoje o apresentador tenta regularizar a compra.
Creci apura
Procurado, o presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci), José Augusto Viana Neto, afirmou que, após receber as informações da reportagem, o órgão abriu uma apuração interna para verificar se o corretor envolvido na venda agiu corretamente. Caso o procedimento aponte irregularidades na atuação de Marcelo Gurgel, “o Creci encaminhará o caso ao Ministério Público para adoção das medidas que julgar necessárias”, disse Viana Neto.
Processo no STJ
A Buritirama recorreu da decisão judicial que decretou sua falência. O caso está no Superior Tribunal de Justiça, aguardando desfecho final.
Enquanto a situação permanece indefinida, cerca de 3.500 empregos seguem comprometidos, reacendendo debates sobre segurança jurídica, ambiente de negócios e cumprimento de decisões judiciais no país.