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Polícia aponta armação contra Augusto e Timão; Armando nega

Armando contratou uma agência de detetives para investigar a Neoway

Armando contratou uma agência de detetives para investigar a Neoway - Imagem: Reprodução / X / @MeuTimao

Jair Viana Publicado em 02/07/2025, às 15h43

A investigação da Polícia Civil sobre o caso Corinthians/VaideBet expõe uma trama interna que vai além das acusações de desvio de recursos e lavagem de dinheiro no Corinthians. Documentos e depoimentos colhidos pela Polícia apontam que Armando Mendonça, ex-aliado do presidente Augusto Melo, orquestrou uma operação paralela para expor supostas irregularidades do contrato de patrocínio como forma de retaliar o presidente do Timão, Augusto Melo, por se sentir excluído do núcleo de decisão do clube. 

A Investigação Particular 

Em março de 2024, após ser deixado de fora nas decisões da gestão Augusto Melo, Armando contratou a agência de detetives Venus - Informações Comerciais LTDA para investigar a Neoway Soluções Integradas, empresa suspeita de ser "laranja" no esquema. O relatório policial detalha que a detetive Adriana Ramuno foi designada para apurar os vínculos de Edna Oliveira dos Santos, moradora de Peruíbe (SP) e suposta sócia da Neoway. Em entrevista gravada clandestinamente, Edna afirmou desconhecer a empresa e seu papel no contrato com a VaideBet. 

Ameaças e vazamento seletivo 

Armando confrontou Augusto Melo em abril de 2024, apresentando as supostas provas coletadas. Exigiu o afastamento imediato do diretor administrativo Marcelo Mariano e do superintendente de marketing Sérgio Moura, ambos investigados por autorizar repasses irregulares à Rede Social Media Design (empresa de Alex Cassundé). Quando Augusto recusou, alegando "falta de fundamento legal", Armando ameaçou tornar o caso público. Em vez de registrar ocorrência na polícia, depois teria repassado os dados a um jornalista, que revelou em seu blog um suposto fluxo de R$ 1,4 milhão para a Neoway. 

Conflitos Pessoais 

O inquérito destaca que o rompimento entre Armando e Augusto Melo ocorreu após a saída de Rubens Gomes ("Rubão"), braço direito de Armando, da diretoria executiva em dezembro de 2023. Testemunhos de conselheiros descrevem Armando como "ferrenho opositor" de Moura e Mariano, acusando-os de minar sua influência. Rozallah Santoro, ex-diretor financeiro, confirmou à polícia que Mariano autorizou pagamentos à Rede Social sem sua anuência, reforçando as suspeitas de gestão temerária. 

Repercussão e Falha Estratégica 

A explosão do escândalo na imprensa levou à rescisão do contrato pela VaideBet em junho de 2024, inviabilizando ao clube uma receita de R$ 25,2 milhões. Para a polícia, Armando "priorizou o dano institucional" ao optar pelo vazamento, em vez de acionar o compliance do clube ou o Ministério Público. A estratégia, porém, falhou em seus objetivos: Moura e Mariano renunciaram apenas após a abertura do inquérito policial, e Armando permaneceu isolado politicamente. 

Preço da Vingança 

A armação de Armando, pela qual pretendia revelar um esquema supostamente criminoso, também aprofundou a crise corintiana. O clube perdeu recursos, viu seu presidente ser afastado por impeachment (maio/2025) e enfrentou invasão de torcedores exigindo reformas- reformas estatutárias. O relatório policial encerra com uma reflexão ácida: "A sede por retaliação alimentou um ciclo de autodestruição, onde o único vencedor foi a instabilidade". 

Linha do tempo 

Maio de 2024: Rubão deixa a diretoria executiva do Corinthians. Armando Mendonça é gradualmente excluído das decisões por Sérgio Moura e Marcelo Mariano. 

Abril de 2024: Armando contrata a agência de detetives Venus para investigar Edna Oliveira, suposta sócia da empresa Neoway, ligada ao patrocínio da VaideBet.

Maio de 2024: Armando confronta Augusto Melo com provas da investigação particular e exige o afastamento de Moura e Mariano. Augusto recusa, alegando falta de fundamento legal.

12 de maio de 2024: Armando repassa documentos e gravações ao jornalista Juca Kfouri, que publica a primeira matéria expondo o fluxo de R$ 1,4 milhão para a Neoway.

7 de junho de 2024: A VaideBet rescinde o contrato de patrocínio (R$ 25,2 milhões/ano) citando "violação de cláusula anticorrupção".

Junho de 2024: A Polícia Civil inicia inquérito formal após análise das provas, incluindo depoimentos que detalham a investigação particular de Armando.

Maio de 2025: Augusto Melo é afastado da presidência por impeachment.

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