Ao enviar mensagens agente do governo, secretário erra e manda à reportagem
Jair Viana Publicado em 22/05/2025, às 12h53
O secretário de Planejamento e Assuntos Estratégicos de Porto Alegre (RS), Cezar Schirmer, articula dentro do governo do prefeito Sebastião Melo (MDB) como responder aos questionamentos da reportagem sobre a derrota do governo na Justiça em relação à licitação para a contratação de um plano de assistência médica aos servidores. As mensagens, que deveriam ser encaminhadas a alguém de sua equipe, foram para o aplicativo da reportagem.
Em uma mensagem por WhatsApp, trocada provavelmente com um ou mais membros do governo, Schirmer demonstra preocupação sobre como responder à reportagem. Em um texto, o secretário diz que está sendo procurado pelo mesmo jornalista. "Recebi do mesmo jornalista da outra vez", disse.
Em outra mensagem, Schirmer, sinalizando a necessidade de urgência na discussão sobre como responder ao jornalista, pede reunião para esta quinta-feira, 23: "Vamos conversar sobre isto amanhã com o Nilo", afirma.
As mensagens de Schirmer , por descuido dele mesmo, foram enviadas ao WhatsApp do jornalista. O secretário foi questionado sobre quem seria Nilo, mas não respondeu, apagando as mensagens que havia enviado ao destino errado.
O que aconteceu?
A Prefeitura de Porto Alegre (RS) sofreu mais uma derrota na Justiça, depois de manipular mais uma licitação para contratar plano de assistência médica para servidores. Desta vez, os responsáveis pelos processos de licitação desclassificaram a Hapvida Assistência Médica para contratar a segunda colocada no certame.
A justificativa para desclassificar a Hapvida, segundo o processo, teria sido o fato de a empresa não ter apresentado provas sobre contratos com rede hospitalar capaz de atender à demanda.
Provas
A Prefeitura alegou que essas provas teriam de ser mostradas na fase de habilitação. Para a Justiça, isso não corresponde às exigências do edital, que exigia os contratos hospitalares somente durante a assinatura do contrato entre a vencedora e a Prefeitura.
Ao conceder liminar em favor da Hapvida Assistência Médica, a Justiça confirma que a empresa atendeu a todas as exigências do edital. A Prefeitura chegou a alegar que a Hapvida não havia comprovado que o Centro Clínico Gaúcho fazia parte do grupo empresarial, mesmo tendo tido contrato anterior nas mesmas condições.