UE investiga Shein por produtos ilegais e design que vicia usuários

A varejista chinesa enfrenta apuração sobre segurança de menores e possíveis mecanismos de vício na plataforma, sob a Lei de Serviços Digitais da União Europeia

- Imagem: Reprodução | Noriko Hayashi / @bloomberglineabrasil

Marina Milani Publicado em 18/02/2026, às 14h18

A União Europeia abriu uma investigação formal sobre a varejista online chinesa Shein nesta terça-feira (17), após suspeitas de venda de produtos ilegais e preocupação com o design viciante da plataforma. O processo reforça o escrutínio sob a Lei de Serviços Digitais, que exige que plataformas online atuem para combater conteúdos ilegais e prejudiciais aos usuários.

A investigação da UE foi motivada em parte por uma denúncia da França, que em novembro de 2025 pediu ação contra a venda de bonecas sexuais com aparência infantil. Desde então, a Shein interrompeu a comercialização desses produtos globalmente.

Além da venda de itens ilegais, a apuração avaliará se a plataforma emprega práticas de design que incentivam o uso excessivo, como sistemas de pontos e recompensas por engajamento, e examinará a transparência de seus algoritmos de recomendação. A intenção é verificar se tais mecanismos podem afetar negativamente o bem-estar dos usuários, especialmente os mais jovens.

Em resposta, a Shein afirmou que continua a cooperar com o órgão regulador e reforçou medidas para se alinhar à legislação da UE, incluindo avaliações de risco, estruturas de mitigação e proteção de menores. Entre as medidas adotadas estão verificações de idade para impedir que usuários jovens acessem produtos restritos e melhorias em ferramentas de detecção de conteúdo.

Henna Virkkunen, chefe de tecnologia da UE, declarou: “A Lei dos Serviços Digitais mantém os consumidores seguros, protege seu bem-estar e os capacita com informações sobre os algoritmos com os quais estão interagindo. Avaliaremos se a Shein está respeitando essas regras e sua responsabilidade.”

A apuração deve examinar detalhadamente como a Shein implementa sistemas para limitar a venda de produtos ilegais, incluindo possíveis materiais de abuso sexual infantil, e se cumpre com padrões de segurança digital estabelecidos pelo bloco europeu.

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