Crise nos Correios

Tribunal de Contas da União aponta risco elevado nas contas dos Correios

Estatal entra em lista de alto risco após prejuízo bilionário e avanço das despesas Texto:

Plano de reestruturação dos Correios inclui cortes de custos e fechamento de agências para restaurar equilíbrio financeiro - Imagem: Reprodução/Joédson Alves/Agência Brasil

Letícia Sales Publicado em 09/04/2026, às 09h51

O Tribunal de Contas da União (TCU) encaminhou ao Congresso Nacional um relatório detalhado sobre a situação financeira dos Correios, em meio ao agravamento dos prejuízos registrados pela estatal.

O documento foi enviado após solicitação do deputado Evair Vieira de Melo, que pediu esclarecimentos sobre o rombo acumulado pela empresa. Apenas no primeiro semestre de 2025, os Correios registraram prejuízo de R$ 4,4 bilhões, valor que já supera o resultado negativo de todo o ano anterior.

No material, o TCU apresenta dados sobre a gestão orçamentária e financeira da companhia, incluindo o crescimento das despesas, o cumprimento de obrigações e possíveis falhas de governança. Também foram analisadas decisões administrativas sob a ótica das regras de responsabilidade fiscal.

Relator do caso, o ministro Walton Alencar Rodrigues classificou como “alarmante” a trajetória de aumento dos custos administrativos e financeiros da estatal, cenário que já vinha sendo monitorado pela Corte.

Diante desse quadro, os Correios foram incluídos na Lista de Alto Risco (LAR) do TCU, um dos níveis mais elevados de alerta do órgão. A classificação indica vulnerabilidades que podem comprometer tanto a prestação de serviços quanto o equilíbrio fiscal do governo federal.

A deterioração das contas da empresa se intensificou nos últimos anos. Após prejuízo superior a R$ 700 milhões em 2022, o déficit saltou para cerca de R$ 2,5 bilhões em 2024 e seguiu em forte crescimento em 2025.

Para manter as operações, a estatal recorreu a um empréstimo de R$ 12 bilhões junto a instituições financeiras, com garantia do Tesouro Nacional, e já utilizou a maior parte dos recursos. Ainda assim, há expectativa de novos aportes ao longo do ano, caso o cenário não apresente melhora.

Como resposta à crise, os Correios iniciaram um plano de reestruturação que prevê redução de custos, venda de ativos e fechamento de agências. A estratégia busca conter a sequência de resultados negativos e restabelecer o equilíbrio financeiro da empresa.

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