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Tarifa de 50% de Trump sobre produtos brasileiros gera alerta no agronegócio

Frigoríficos e produtores de café enfrentam dificuldades com a nova tarifa, que pode aumentar preços e reduzir exportações

Frigoríficos e produtores de café enfrentam dificuldades com a nova tarifa, que pode aumentar preços e reduzir exportações - Imagem: Divulgação / Ministério da Comunicação

Gabriela Thier Publicado em 12/07/2025, às 20h05

O agronegócio no Brasil atravessa um momento de grande apreensão em decorrência do anúncio feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a imposição de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, com início previsto para o dia 1º de agosto. Esta decisão abrupta e aparentemente motivada por questões políticas gerou uma onda de reações entre os representantes do setor, que agora clamam por uma resposta diplomática robusta do governo brasileiro. As informações são da DW.

A nova sobretaxa afetará diretamente produtos significativos na balança comercial do Brasil, como carne bovina, café, suco de laranja, papel e celulose. Em função dessa medida, frigoríficos brasileiros já iniciaram a redução na produção destinada ao mercado americano, enquanto embarques de pescados estão paralisados nos portos devido ao cancelamento em massa de pedidos por empresas dos EUA.

Roberto Perosa, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Carne Bovina (Abiec), expressou em entrevista à imprensa internacional a necessidade do setor em compreender como reestruturar a logística e a produção. "As indústrias brasileiras decidiram pausar temporariamente a produção voltada para os Estados Unidos", declarou Perosa. Durante sua missão nos EUA, ele observou também a surpresa entre as importadoras americanas diante da nova realidade, que deve resultar em um aumento nos preços dos produtos. "É assustador e traz uma imprevisibilidade significativa; decisões políticas não podem gerar prejuízos à população do nosso país", concluiu, sem mencionar diretamente a família Bolsonaro.

A carne brasileira, especialmente a parte dianteira do boi - menos consumida internamente, mas muito utilizada para a produção de hambúrgueres nos Estados Unidos -, desempenha um papel vital na satisfação da demanda americana, especialmente em um contexto agravado pela seca em áreas produtoras. Nos primeiros seis meses de 2025, o Brasil já havia exportado 190 mil toneladas de carne bovina para os EUA, quase igualando o total exportado durante todo o ano de 2024.

Outro produto central na crise é o café. Marcos Matos, diretor do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), destacou a tensão e preocupação no setor. "O Brasil é o maior fornecedor de café para os Estados Unidos, onde 76% da população consome a bebida", ressaltou Matos. Em 2024, das 24 milhões de sacas de café consumidas nos EUA, 8,1 milhões foram provenientes do Brasil. O grão verde brasileiro movimenta uma indústria bilionária no país norte-americano; segundo um estudo da National Coffee Association, para cada dólar importado geram-se 43 dólares na economia local.

Enquanto isso, o setor de suco de laranja se encontra em uma situação crítica. A CitrusBR advertiu que a tarifa tornaria inviável a exportação para o mercado americano - principal destino do suco brasileiro na safra 2024/25 - que corresponde a 41,7% do total exportado. "Esta é uma condição insustentável para o setor, que não possui margem para absorver esse tipo de impacto", afirmou a entidade, prevendo possíveis paralisações nas colheitas e desorganização das fábricas. A Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) acredita que essa ação americana prejudicará toda a cadeia produtiva e aposta em uma solução através da diplomacia: "É uma questão política que precisa ser debatida entre os países; afinal, tal ação não irá apenas desfavorecer os exportadores brasileiros, mas também impactará os consumidores americanos".

Por enquanto, o governo brasileiro opta por não retaliar e busca uma solução diplomática. Luís Rua, secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), declarou: "Vamos esperar 'abaixar a poeira'. Se não houver consenso, o Brasil é soberano e não aceitará imposições unilaterais". Ele também mencionou que o governo já tem acelerado esforços na diversificação dos mercados desde o retorno de Luiz Inácio Lula da Silva à presidência, tendo aberto 393 novas oportunidades de exportação desde 2023.

Perosa também indicou a possibilidade de redirecionamento da produção para outros mercados. "O rearranjo deve ser feito com países para os quais já exportamos", afirmou ele, citando destinos na Ásia e Oriente Médio. O Mapa informou que está mantendo comunicação direta com as entidades agropecuárias e pretende implementar medidas para mitigar os impactos da crise. A decisão de Trump – que considerou insuficientes os esforços brasileiros no combate ao narcotráfico – deixou produtos já embarcados em estado indefinido e gerou incertezas entre empresários e produtores. Com menos de um mês até a implementação da nova tarifa, o setor vê com urgência a necessidade de uma reversão dessa decisão ou pelo menos uma negociação que minimize os danos à economia brasileira.

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